terça-feira, 17 de maio de 2011

ENEM: Quem elaborará as provas?


Institutos de Ensino Superior (IES) se prepararam para elaborar itens

05 de Maio de 2011 (Imprensa - MEC)

Um total de 59 instituições públicas de ensino superior se cadastrou no Banco Nacional de Itens (BNI) do Inep/MEC, a fim de elaborar itens para o Exame Nacional do Ensino Médio, Enem. O Inep teve dois objetivos ao convocar as instituições para a tarefa: ampliar o número de itens disponíveis em seu banco e transferir expertise às instituições em avaliações de larga escala.

Das 59 IES públicas cadastradas, sete são Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), cinco são Fundações Universitárias e duas são Centros Federais. As demais são universidades federais e estaduais.

Na próxima etapa do processo de elaboração de itens para o BNI, o Inep oferecerá capacitação aos coordenadores-gerais e coordenadores de área de todas as instituições inscritas. A capacitação abrangerá avaliação, instrumentos de medidas, matrizes de referência, elaboração e revisão de itens. Após essa fase, será celebrado convênio entre o Inep e cada uma das IES participantes da capacitação. Só depois será dado início ao processo efetivo de elaboração de itens – que terá que ser feito, obrigatoriamente, em ambiente seguro.

Exame – A demanda mínima por IES é de 100 questões de uma mesma área do conhecimento. As áreas do conhecimento são: Matemática e suas tecnologias; Linguagens, códigos e suas tecnologias; Ciências Humanas e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias.

Os itens devem conter questões objetivas, compostas por um texto-base, enunciado, cinco alternativas e apenas uma resposta correta, além de uma justificativa para cada alternativa. Os itens terão que atender às matrizes de habilidades e competências do Enem. Todos os itens passarão por uma revisão do Inep/MEC.

Os colaboradores receberão por item integrado ao BNI. As IES também receberão um incentivo financeiro, proporcional ao número de questões elaboradas e aprovadas. Para isso, é necessário que a instituição prepare, no mínimo, 500 questões.

Universidades públicas elaborarão itens para a prova do Enem

29 de Abril de 2011(Imprensa – MEC)

Inserir universidades no processo de montagem de suas provas, aumentar o número de itens do Banco Nacional de Itens (BNI) em menos tempo e transferir às universidades públicas conhecimentos sobre avaliações em larga escala. Com esses objetivos, o Inep lançou chamada pública convocando instituições públicas de educação superior interessadas em elaborar e revisar itens para a prova do Enem.
O Enem é composto por uma redação e quatro provas, cada uma de uma área do conhecimento: matemática e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias. Cada prova é composta por 45 itens. O ideal é que o BNI tenha, no mínimo, 20 mil itens por área do conhecimento.
A chamada pública foi publicada na edição de ontem (28 de março) do Diário Oficial da União e estabelece que as instituições públicas – municipais, estaduais ou federais – interessadas em participar do processo se cadastrem no endereço eletrônico http://bni.inep.gov.br/inscricao. O período para cadastramento é do dia 30 de março ao dia 15 de abril.
Após o cadastramento, o Inep oferecerá capacitação aos coordenadores-gerais e coordenadores de área sobre os pressupostos teóricos e metodológicos sobre avaliação em larga escala, instrumentos de medida, matrizes de referência, elaboração e revisão de itens. Somente após as capacitações as instituições estarão credenciadas a participar do trabalho.
Após assinatura de termo de sigilo e compromisso, a instituição deverá capacitar elaboradores e revisores de itens – que deverão ser servidores ativos, na área de docência ou pesquisa. Eles irão elaborar os itens segundo a demanda do Inep e, após a conclusão do trabalho, enviar o conjunto de itens elaborados e revisados.
Esses itens serão, então, submetidos a revisão pelo Inep e, posteriormente, a pré-testagem. Apenas depois disso estarão prontos para compor  o Banco Nacional de Itens.


OBS.: Se entre os elaboradores de itens (questões) para o ENEM 2011 estão as  universidades federais que aderiram a esse sistema de avaliação, podemos esperar uma prova mais difícil que em 2010? Reflitam!

terça-feira, 3 de maio de 2011

LEITURA CINEMATOGRÁFICA

SUGESTÃO DE FILMES PARA O TEMA ALCOOLISMO:

1. Mais que o Acaso

A história de Mais que o Acaso é bem pouco original: o publicitário Buddy Amaral (Ben Affleck) cede, na última hora, seu lugar no avião para que o escritor Greg Janello (Tony Goldwin) possa chegar mais cedo em casa.
O avião explode, e Buddy entra em crise de consciência. Um ano após o acidente, recuperado do alcoolismo que o vitimou após a fatalidade, Buddy - sem se identificar - procura a viúva de Greg, Abby (Gwyneth Paltrow), para certificar-se que ela está bem.

» Gênero: Drama
» Origem: Estados Unidos
» Duração: 107 minutos
» Tipo: Longa-metragem
» Disponível: Locadoras

2. 28 dias

Bela, bem-sucedida profissionalmente, superanimada, mas alcoólatra. Esse é o perfil de Gwen Cummings, uma competente jornalista de Nova Iorque.

Durante a cerimônia de casamento de sua irmã Lily, embebeda-se e apronta um escândalo, causa um acidente ao dirigir a limusine dos noivos e acaba condenada por um tribunal a passar 28 dias em um centro de reabilitação de alcoólatras. Uma vez na clínica, passa a obedecer regulamentos rígidos e estranhos rituais, como cantar e entoar palavras de ordem de mãos dadas com outros pacientes e, falar de seus sentimentos.

» Gênero: Drama/Romance
» Origem: Estados Unidos
» Duração: 103 minutos
» Tipo: Longa-metragem
» Disponível: Locadoras
3. Quando um homem ama uma mulher
Um dos melhores filmes sobre o assunto é Quando um homem ama uma mulher, com Meg Ryan e Andy Garcia. Vale a pena assitir e acompanhar a luta de um casal apaixonado, com duas filhas lindas e que vê a felicidade ameaçada pelo vício da mulher.
O filme mostra o sofrimento de quem bebe, a procura pela cura e como a pessoa vai perdendo toda a dignidade conforme o vício aumenta. Imperdível. O filme tem ainda uma música linda, When A Man Loves a Woman.


Assistam a pelo menos uma dessas sugestões. 


Não deixem de ler o texto "O Gato Preto" (Edgar Allan Poe)
Por:  Delinha

segunda-feira, 2 de maio de 2011

LEITURA FORMATIVA: TEMA DE REDAÇÃO


Álcool X Organismo
PARTE I

O álcool é absorvido principalmente no intestino delgado, e em menores quantidades no estômago e no cólon. A concentração do álcool que chega ao sangue depende de fatores como: quantidade de álcool consumida em um determinado tempo, massa corporal, e metabolismo de quem bebe, quantidade de comida no estômago. Quando o álcool já está no sangue, não há comida ou bebida que interfira em seus efeitos. Os efeitos do álcool dependem de fatores como: a quantidade de álcool ingerido em determinado período, uso anterior de álcool e a concentração de álcool no sangue. O uso do álcool causa desde uma sensação de calor até o coma e a morte dependendo da concentração que o álcool atinge no sangue. Os sintomas que se observam são:

- Doses até 99mg/dl: sensação de calor/rubor facial, prejuízo de julgamento, diminuição da inibição, coordenação reduzida e euforia;

- Doses entre 100 e 199mg/dl: aumento do prejuízo do julgamento, humor instável, diminuição da atenção, diminuição dos reflexos e incoordenação motora;

- Doses entre 200 e 299mg/dl: fala arrastada, visão dupla, prejuízo de memória e da capacidade de concentração, diminuição de resposta a estímulos, vômitos;

- Doses entre 300 e 399mg/dl: anestesia, lapsos de memória, sonolência;

- Doses maiores de 400mg/dl: insuficiência respiratória, coma, morte.

Um curto período (8 a 12 horas) após a ingestão de grande quantidade de álcool pode ocorrer a "ressaca", que caracteriza-se por: dor de cabeça, náusea, tremores e vômitos. Isso ocorre tanto devido ao efeito direto do álcool ou outros componentes da bebida. Ou pode ser resultado de uma reação de adaptação do organismo aos efeitos do álcool.

A combinação do álcool com outras drogas (cocaína, tranquilizantes, barbituratos, antihistamínicos) pode levar ao aumento do efeito, e até mesmo à morte.

PARTE II

Os efeitos do uso prolongado do álcool são diversos. Dentre os problemas causados diretamente pelo álcool, destacam-se doenças do fígado, coração e do sistema digestivo. Secundariamente ao uso crônico abusivo do álcool, observa-se: perda de apetite, deficiências vitamínicas, impotência sexual ou irregularidades do ciclo menstrual.

Intoxicação alcoólica e hipoglicemia:
Como já foi visto antes o álcool etílico, principal componente das bebidas alcoólicas, é metabolizado no fígado por duas reações de oxidação. Em cada reação, elétrons são transferidos ao NAD+, resultando e um aumento maciço na concentração de NADH citosólico. A abundância de NADH favorece a redução de piruvato em lactato e oxalacetato em malato, ambos são intermediários na síntese de glicose pela gliconeogênese. Assim, o aumento no NADH mediado pelo etanol faz com que os intermediários da gliconeogênese sejam desviados para rotas alternativas de reação, resultando em síntese diminuída de glicose. Isto pode acarretar hipoglicemia , particularmente em indivíduos com depósitos exauridos de glicogênio hepático. A mobilização de glicogênio hepático é a primeira defesa do corpo contra a hipoglicemia, assim, os indivíduos em jejum ou desnutridos apresentam depósitos de glicogênio exauridos, e devem basear-se na gliconeogênese para manter sua glicemia. A hipoglicemia pode produzir muitos comportamentos associados à intoxicação alcoólica – agitação, julgamento dinimuído e agressividade. Assim, o consumo de álcool em indivíduos vulneráveis – aqueles em jejum ou que fizeram exercícios prolongado e extenuante – podem prodizir hipoglicemia, que podem contribuir para os efeitos comportamentais do álcool.

Alcoolismo agudo:
Exerce os seus efeitos principalmente sobre o sistema nervoso central, mas ele pode também, rapidamente, induzir alterações hepáticas e gástricas que são reversíveis na ausência do consumo continuado de álcool. As alterações gástricas constituem gastrite aguda e ulceração. No sistema nervoso central, o álcool por si é um agente depressivo que afeta, primeiramente, as estruturas subcorticais (provavelmente a formação reticular do tronco cerebelar superior) que modulam a atividade cortical cerebral. Em consequência, há um estímulo e comportamentos cortical, motor e intelectual desordenados. A níveis sanguíneos progressivamente maiores, os neurônios corticais e, depois, os centros medulares inferiores são deprimidos, incluindo aqueles que regulam a respiração. Pode advir parada respiratória. Efeitos neuronais podem relacionar-se com uma função mitocondrial danificada; alterações estruturais não são em geral evidentes no alcoolismo agudo. Os teores sanguíneos de álcool e o grau de desarranjo da função do SNC em bebedores não habituais estão intimamente relacionados.
PARTE III

Alcoolismo crônico:

É responsável pelas alterações morfológicas em praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo, particularmente no fígado e no estômago. Somente as alterações gástricas que surgem imediatamente após a exposição, podem ser relacionadas com os efeitos diretos do etanol sobre a vascularização da mucosa. A origem das outras alterações crônicas é menos clara. O acetaldeído, um metabólico oxidativo importante do etanol, é um composto bastante reativo e tem sido proposto como mediador da lesão tissular e orgânica disseminada. Embora o catabolismo do acetaldeído seja mais rápido do que o do álcool, o consumo crônico de etanol reduz a capacidade oxidativa do fígado, elevando os teores sanguíneos de acetaldeído, os quais são aumentados pelo maior ritmo de metabolismo do etanol no bebedor habitual. O aumento da atividade dos radicais livres em alcoólatras crônicos também tem sido sugerido como um mecanismo de lesão. Mais recentemente, foi acrescentado o metabolismo não-oxidativo do álcool, com a elaboração do ácido graxo etil éster, bem como mecanismos imunológicos pouco compreendidos iniciados por antígenos dos hepatócitos na lesão aguda.

Seja qual for a base, os alcoólatras crônicos têm sobrevida bastante encurtada, relacionada principalmente com lesão do fígado, estômago, cérebro e coração. O álcool é a causa bastante conhecida de lesão hepática que termina em cirrose, sangramento maciço proveniente de gastrite ou de úlcera gástrica que pode ser fatal. Ademais, os alcoólatras crônicos sofrem de várias agressões ao sistema nervoso. Algumas podem ser nutricionais, como a deficiencia em vitamina B1, comum em alcoólatras crônicos. As principais lesões de origem nutricional são neuropatias periféricas e a síndrome de Wernicke-Korsakoff. Pode surgir a degeneração cerebelar e a neuropatia óptica, possivelmente, relacionadas com o álcool e seus produtos, e, incomumente, pode surgir atrofia cerebral.

As consequências cardiovasculares também são amplas. Por outro lado, embora ainda sem consenso, quantidades moderadas de álcool podem diminuir a incidência da cardiopatia coronária e aumentar os níveis do colesterol HDL. Entretanto, o alto consumo que leva à lesão hepática resulta em níveis menores da fração HDL das lipoproteínas.

O alcoolismo crônico possui várias consequências adicionais, incluindo uma maior tendência para hipertensão, uma maior incidência de pancreatite aguda e crônica, e alterações regressivas dos músculos esqueléticos.
PARTE IV

Doença hepática alcoólica (DHA) e Cirrose:
O consumo crônico de álcool resulta com frequência em três formas distintas, embora superpostas, de doenças hepáticas: (1) esteatose hepática, (2) hepatíte alcoólica e (3) cirrose, denominadas coletivamente de doença hepática alcoólica. A maioria dos casos o alcoólico que continua bebendo evolui da degeneração gordurosa para ceises de hepatite alcoólica e para cirrose alcoólica no transcorrer de 10 a 15 anos.

(1)ESTEATOSE ALCOÓLICA (fígado gorduroso): dentro de poucos dias após a administração de álcool a gordura aparece dentro das células hepáticas, representa principalmente aumento na síntese de triglicerídios em virtude do maior fornecimento de ácidos graxos ao fígado, menor oxidação dos ácidos graxos, e menor formação e liberação de lipoproteínas. Ela pode surgir sem evidências clínica ou bioquímica de doença hepática.. Por outro lado, quando o acometido é intenso, pode estar associado com mal-estar, anorexia, náuseas, distenção abdominal, hepatomegalia hipersensível, às vezes icterícia e níveis elevados de aminotransferase.

(2)HEPATITE ALCOÓLICA: caracteriza-se principalmente por necrose aguda daas células hepáticas. Em alguns pacientes, apesar da abstinência, a hepatite persiste e progride para cirrose. Ela representa a perda relativamente brusca de reserva hepática e pode desencadear um quadro de insuficiência hepática ou, às vezes, a síndrome hepatorrenal.

(3)CIRROSE ALCOÓLICA: apesar de o álcool ser a causa mais comum de cirrose no mundo ocidental, sendo responsável aí por 60 a 70% de todos os casos, é enigmático que apenas 10 a 15% dos "devotos do alambique" acabam contraindo cirrose. Existe em geral uma relação inversa entre a quantidade de gordura e a quantidade de cicatrização fibrosa. No início da evolução cirrótica os septos fibrosos são delicados e estendem-se da veia central para as regiões portais assim como de um espaço-porta para outro. À medida que o processo de cicatrização aumenta, a nodularidade torna-se mais proeminente e os nódulos esparsos aumentam em virtude da atividade regenerativa, criando na superfície o denominado aspecto de cravo de ferradura.

A quantidade de gordura é reduzida, o fígado diminui progressivamente de tamanho, tornado-se mais fibrótico, sendo transformado em um padrão macronodular à medida que as ilhotas paraenquimatosas são envoltas por tiras cada vez mais largas de tecido fibroso. Nos casos típicos, após certos sintomas tipo mal-estar, fraqueza, redução ponderal e perda de apetite, o paciente desenvolve icterícia, ascite e edema periférico, com o último sendo devido à deterioração na síntese da albumina. A menos que o paciente evite o álcool e adote uma dieta nutritiva, a evolução habitual durante um período de anos é progressivamente descendente, com a deterioração da função hepática e surgimento de hipertensão com suas sequelas como, por exemplo, ascite, varizes gastroesofágicas e hemorroidas.
PARTE V

Problemas clínicos do alcoolismo:

A ingestão contínua do álcool desgasta o organismo ao mesmo tempo em que altera a ente. Surgem, então, sintomas que comprometem a disposição para trabalhar e viver com bem estar. Essa indisposição prejudica o relacionamento com a família e diminui a produtividade no trabalho, podendo levar à desagregação familiar e ao desemprego.

Alguns dos problemas mais comuns da doença sâo:

No estômago e intestino
Gases: Sensação de "estufamento", nem sempre valorizada pelo médico. Pode ser causada por gastrite, doenças do fígado, do pâncreas, etc.
Azia: Muito comum em alcoolistas devido a problemas no esôfago.
Náuseas: São matinais e ás vezes estão associadas a tremores. Podem ser consideradas sinal precoce da dependência do álcool.
Dores abdominais: Muito comum nos alcoolistas que têm lesões no pâncreas e no estômago.
Diarreia: Nas intoxicações alcoólicas agudas (porre). Este sintoma é sinal de má absorção dos alimentos e causa desnutrição no indivíduo.
Fígado grande: Lesões no fígado decorrentes do abuso do álcool. Podem causar doenças como hepatite, cirrose, fibrose, etc.

No Sistema Cárdio Vascular:
O uso sistemático do álcool pode ser danoso ao tecido do coração e elevar a pressão sangüínea causando palpitações, falta de ar e dor no tórax.

Glândulas:
As glândulas são muito sensíveis aos efeitos do álcool, causando sensíveis problemas no seu funcionamento. Impotência e perda da libido. O indivíduo alcoolista pode ter atrofiados testículos, queda de pêlos além de gincomastias (mamas crescidas).

Sangue:
O álcool torna o individuo propício às infecções, alterando o quadro de leucócitos e plaquetas, o que torna freqüente as hemorragias.
A anemia é bastante comum nos alcoolistas que têm alterações na série de glóbulos vermelhos, o que pode ser causado por desnutrição (carência de ácido fólico).
PARTE VI

Alcoolismo é doença (OMS):

É o que a medicina afirma, mas a maior dificuldade das pessoas é entender como isso funciona. Alguns acham que é falta de vergonha; outros, que é falta de força de vontade, personalidades desajustadas, problemas sexuais, brigas familiares, etc.; outros, até, que é coisa do "capeta", outros acham que leva algum tempo para desenvolver tal "vício". A verdade é que algumas pessoas nascem com o organismo predisposto a reagir de determinada maneira quando ingerem o álcool. Aproximadamente dez em cada cem pessoas nascem com essa predisposição, mas só desenvolverão esta doença se entrarem em contato com o álcool.

O alcoolimo não é hereditátio:
Apesar do alcoolismo não ser hereditário existe uma predisposição orgânica para o seu desenvolvimento, sendo, então, o alcoolismo transmissível de pais para os filhos. O desenvolvimento do alcoolismo envolve três características: a base genética, o meio e o indivíduo. Filhos de pais alcoólatras são geneticamente diferentes, porém, só desenvolverão a doença se estiverem em um meio propício e/ou características psicológicas favoráveis.

domingo, 1 de maio de 2011

INFORMAÇÃO RELEVANTE:



Fatores que interferem na nota do Enem

O esforço pessoal não é a única característica que conta pontos no Exame Nacional do ensino médio (Enem). Um estudo do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) revela que as condições socioeconômicas interferem diretamente no desempenho dos estudantes.
Carla Nascimento 

O esforço pessoal não é a única característica que conta pontos no Exame Nacional do ensino médio (Enem). Um estudo do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) revela que as condições socioeconômicas interferem diretamente no desempenho dos estudantes. 

Entre os itens avaliados, o que mais chama a atenção é a Escolaridade da mãe. A cada ano de estudo adicional da mãe, o aluno tem, em média, 7 pontos a mais na nota objetiva. A renda da família e o fato do estudante ser de Escola particular também influenciam positivamente nas notas.
 A primeira surpresa foi a Escolaridade da mãe interferir mais no resultado do que o nível de renda da família. A hipótese por trás disso é que a mãe com boa Escolaridade dá valor à Educação. Então, ela estimula o filho, cobra e participa, afirma a diretora-presidente do instituto, Ana Paula Vitali Janes Vescovi.
 Mas esse não foi o único dado inesperado. A pessoa que estuda e trabalha perde, em média, 1,5 pontos na nota objetiva do Enem. Já quem tem filhos perde 1,1 pontos. O fato de o aluno trabalhar atrapalha mais do que ter filhos. Mas isso tem que ser olhado da seguinte forma: entre só trabalhar e só estudar, é melhor só estudar. Mas se o aluno precisa da renda para garantir a sobrevivência, ele deve trabalhar e estudar, opina. 

Estudo 

A diretora-presidente explica que a intenção inicial do estudo era traçar uma relação entre o desenvolvimento dos municípios que apresentaram bons desempenhos com a qualidade da Educação. No entanto, os números de cada localidade não foram suficientes para isso. A solução foi partir para análise das características dos indivíduos.
 A metodologia utilizada permite ainda estender os resultados para os alunos do ensino médio que não participaram do Enem. A crítica que poderiam fazer é que nem todos os que fazem o Enem representam o universo de estudantes nessa faixa etária. Isso porque eles fazem o exame com um propósito, partir para uma bolsa de estudos ou fazer o vestibular. Portanto, aplicamos uma metodologia estatística para corrigir o que chamamos de viés de seleção. Ela mostra que praticamente todos os dados se confirmam, diz Ana Paula.
Além de boas Escolas, muitas horas de estudo
 Daniela Alves Nemer, 19, faz parte do grupo de alunos que tiveram nota considerada boa ou excelente no Enem 2008. Ela acertou mais de 80% da prova objetiva e da redação. O bom desempenho no exame se repetiu no vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e ela conquistou uma vaga no curso mais disputado: Medicina. A seu favor, Daniela tem algumas das características constatadas como positivas pelo estudo do Instituto Jones dos Santos Neves.
 Sempre estudou em Escolas particulares, vem de uma família pequena - com quatro pessoas - e é filha de uma médica com pós-graduação. Mas sua situação socioeconômica não merece todo o mérito. A jovem lembra que estudava durante o período da manhã e da tarde na Escola e continuava os estudos até altas horas da noite, em casa. No primeiro semestre chegava a estudar até as 2 horas da madrugada, todos os dias. Mas, depois, tive que diminuir o ritmo, porque estava muito cansada. Ainda assim, estudava cerca de cinco ou seis horas por dia em casa, lembra a jovem.
 Autora: Stella Maris Bortoni-Ricardo ( Professora de Linguista da UNB)

Leitura Formativa: Exemplo de argumentação


Sírio Possenti comenta as gramáticas

Há livros interessantíssimos de divulgação científica. Mesmo não sendo especialista, um leitor pode descobrir aspectos filosóficos de relevo no curso do desenvolvimento da ciência. Uma das lições mais óbvias é que a ciência avança destruindo erros.

Um caso muito curioso é a progressiva demolição do modelo ptolemaico do universo que, para explicar o movimento dos planetas (e outras coisas), precisava de regras complexíssimas. Copérnico e Kepler mostraram que um modelo bem mais simples explicava muito mais coisas (depois Newton deu um acabamento especial, com suas conhecidas). Mas, para funcionar - isto é, para ser compreendido - o modelo exigiu uma mudança fundamental de atitude: deixar de acreditar que a Terra está no centro do Universo (e que é plana etc.). Devia-se começar a explicar as coisas de outro ponto de vista, começando de novo, num certo sentido.

Pode-se dizer que ocorrem fenômenos análogos em relação ao estudo das línguas. A meu ver, muita gente não olha para a língua de um lugar errado. O equívoco mais comum diz respeito à natureza da gramática. Muitos acham que as gramáticas são conjuntos de regras que os gramáticos inventaram e que todos devem seguir (por isso se pede que eles simplifiquem as coisas...). Mas ela é uma coisa completamente diferente. Ela não está no começo deste ciclo. Antes das gramáticas vêm os escritores (ou os falantes). Assim, uma gramática informa quais são as regras que os escritores seguiram, e não as que devem seguir. Os gramáticos descobrem as regras analisando dados, que são os textos dos escritores - assim como os astrônomos descobrem regras observando o céu...

Esse exemplo mais típico só vale, é claro, para sociedades em que se escreve. Naquelas em que não se escreve, fazer uma gramática significa observar como os falantes falam e procurar organizar as regras que explicam o que eles fazem quando falam (se todos dizem o boi, a mãe, a casa, o bobo etc. o gramático dirá que o artigo vem antes do nome).

Supor que as regras da língua são inventadas pelas gramáticas e impostas aos escritores e aos falantes seria como imaginar que um astrônomo define a órbita dos astros e que estes são obrigados a segui-la (sob pena de serem reprovados ou considerados errados).

Se entendemos as gramáticas olhando daqui para lá e não de lá para cá (da língua para a gramática e não da gramática para a língua), então podemos pensar que uma língua como a nossa permite construir diferentes gramáticas - da língua escrita e da falada. É que os escritores não seguem sempre as mesmas regras. Não só elas variam em séculos diferentes, mas mesmo em gêneros diferentes na mesma época. Escritores realistas não escrevem como os românticos, os romancistas não escrevem como os poetas, e nenhum deles escreve como os tabeliães e os bioquímicos.

Não só se pode fazer gramáticas da modalidade falada de uma língua, como se pode fazê-las de todas as suas variedades, nas diversas regiões de um país. Mattoso Câmara, por exemplo, descreveu a fonologia do português culto falado informalmente no Rio de seu tempo. Observando os dados, pode-se descobrir (este é um fato tão observável quanto as mudança das fases da lua) que muita gente diz pra mim ler, mas que ninguém diz mim vou ou mim vai.

Descobrindo fatos como esse, observado sistematicamente (mim nunca é sujeito em orações iniciais; só em subordinadas, e depois de para), pode-se tentar explicá-lo, assim como os físicos tentam explicar por que a bola é mais rápida a 4000 metros de altitude do que ao nível do mar (aliás, os físicos acham esquisito que os narradores de futebol digam que, quando a bola quica, sua velocidade aumenta, porque, não havendo outro impulso - outra força que impulsione a bola -, a velocidade não pode aumentar. Mas os narradores continuam dizendo a mesma besteira - como dizem outras sobre língua...).

Se entendêssemos que os fatos linguísticos são simplesmente fatos, e que o papel das gramáticas é explicá-los, não diríamos mais que as pessoas falam errado, ou que falam de qualquer jeito. Melhor: entenderíamos que, quando dizemos que uma pessoa fala errado, operando em dois níveis de avaliação: a) o nível gramatical - que descreve as regras; b) o nível social e/ou histórico, segundo o qual ter um determinado comportamento linguístico é certo ou errado. Ficaria claro que esse critério é social e/ou histórico, e não gramatical.

Esse critério deixa claro que certas construções, que já foram consideradas corretas, não o são mais. Por exemplo: pessuir foi a forma antiga do verbo possuir; Camões escreveu o mar que dos feos focas se navega, mas, hoje, escreveria o mar que é navegado pelas focas feias, porque, hoje, foca é feminino e não ocorrem mais passivas com de (deixo de comentar o se); hoje, a preposição é por.

Uma nota sobre a escrita, para esclarecer outro aspecto: entenderíamos muito melhor o que se faz no mundo da escrita se, em vez de condenar ou aprovar determinadas formas, observássemos o que acontece. Um dos fatos é o seguinte: as editoras (e as redações de jornais) têm seus próprios manuais, que ora são mais ou ora menos parecidos com as gramáticas, mas nunca são iguais. Uma editora precisa tomar cuidados especiais quando faz revisões, porque não é a mesma coisa revisar um livro de história, um de poesia e um romance. Já imaginaram corrigir a sintaxe de Dalton Trevisan (para nem mencionar Guimarães Rosa)?

Pensemos no exemplo do jornal, uma espécie de microcosmo do mundo da escrita: quem redige um editorial se obriga a seguir mais rigorosamente um padrão ideal do que quem escreve fofocas. E quem redige os pequenos anúncios não pode escrever certo. Este deve escrever assim: Cond. Fech Chac nova 3st sl3 ambs churr. Pisc qd tênis, mini-cpo, 1500m²terr, alto, plano R$70mil entr, saldo 36x ac. autoimov. SP ou ABC (é um anúncio real, que copiei de um jornal bem conservador!).

Com um novo olhar, compreenderíamos muito melhor o que é uma língua e como ela funciona numa sociedade. Esqueceríamos, por serem inadequados, critérios exclusivos do tipo pode não pode ou certo errado. Talvez, fôssemos mais bem sucedidos até mesmo nos projetos escolares. As ênfases mudariam, os resultados seriam muito mais interessantes.

O leitor, imagine agora, que ainda achamos que a Terra está no centro do sistema e que as coisas queimam porque liberam flogisto. Pois bem: ainda estamos estudando as línguas com essa cabeça.

PS:
a) Dizer que a pronúncia muyé existe não é a mesma coisa que dizer que é válida. Mas o que quer dizer exatamente pronúncia válida? Autorizada? Por quem? Em qual contexto? Quem não conhece Cuitelinho, cheio de formas análogas? E não me venham dizer que não é uma letra válida...

b) Um leitor escreveu que não se diz os brasileiros vão votar. Não se diz significa não se diz (uma construção que não ocorre) ou não se deve dizer?

c) Dizer que, em Está cheio de meninos na praia, cheio concorda com no local, como escreveu um leitor, é cometer dois erros: 1) no local não está na oração; 2) no local é um locativo, e, como tal, não recebe concordância...

d) Lula igualou presos comuns a presos políticos. Ficam pegando no pé dele por questiúnculas de concordância, quando o grave são certos raciocínios que o presidente produz, com falhas lamentáveis. No caso, compara o incomparável. Faz uma analogia insuportável. Não sei se ele se dá conta. Se sim, é imperdoável. Se não, é imperdoável.

Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.

Sugestão temática: Eva de Mercedes