terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Jovens Escritores: Brasileiros




A moça das flores e o tropeiro


Francisca nasceu no século XIX em uma fazenda do interior paulista. Aprendeu costurar e bordar. Naquela época uma boa moça tinha que possuir tais habilidades. Mas o que ela realmente apreciava era cavalgar pelos campos, contemplar a beleza da região, sentir o vento em seu corpo, em seus longos cabelos. Gostava de observar pássaros e flores, vivia em harmonia com a natureza. Todos os jarros do casarão eram abastecidos com flores que ela cuidadosamente escolhia e colhia, por isso a chamavam carinhosamente de “a moça das flores”.

Certo dia quando Francisca foi colher flores, próximo de um rio que cortava a fazenda, percebeu a aproximação de um tropeiro que lhe despertou atenção. Apesar do traje rústico dele e da aparência cansada, observou profundamente seus olhos azuis, parecia um príncipe.
Por alguns instantes os dois se entreolharam, foram tomados pela magia do encantamento, se sentiram magnetizados um pelo outro. Os dois ficaram apaixonados, um caso de amor à primeira vista. O tropeiro chamava-se Joaquim, estava conduzindo gado do sul de Minas para uma fazenda em São Paulo.

Dali em diante o tropeiro jamais parou de pensar na moça das flores. Com ela aconteceu o mesmo. Era raro ele entregar mercadorias ou gado naquela região, mas, depois da fulminante paixão, ele passou a alterar alguns itinerários somente para vê-la. Da parte dela, vivia contando os dias.

Havia um abismo entre ambos. A moça das flores era rica, o pai (um autoritário português) não permitia o namoro de sua única filha com um tropeiro. Tanto Francisca quanto Joaquim tinham conhecimento da realidade, ainda assim ele pediu permissão para namorá-la, sem sucesso.

A moça das flores tinha esperança que seu pai pudesse voltar atrás, com o tempo, mas isto não aconteceu. Ela disse para sua mãe Thereza que iria para um convento, se tornaria uma freira se não casasse com o tropeiro. Não desejava outra pessoa a não ser ele. O recado foi transmitido ao pai, que preferia ver a filha reclusa, se assim ela decidisse. Por precaução paterna, o tropeiro foi proibido de chegar perto do casarão. Se fosse apanhado na região seria alvejado com a certeira pontaria do português Antonio. A espingarda tinha inúmeras serventias para ele, inclusive espantar indesejados.

Alguns meses se passaram, até que certo dia o tropeiro recebeu uma encomenda especial para entregar justamente na fazenda do português Antonio. A carga era de querosene, sal, trigo, sementes e algumas ferramentas O português não gostou de encontrar-se novamente com o tropeiro Joaquim. Foi objetivo, conferiu a encomenda, pagou a importância negociada e ordenou que o tropeiro Joaquim partisse rapidamente. Com um jeito bem humilde, o tropeiro solicitou ao português permissão para repousar algumas horas, alegou que estava cansado, seu cavalo e mulas também. Foi atendido a contragosto.

Era a oportunidade caída dos céus. O tropeiro instalou-se em um local reservado, e enquanto descansava, imaginou inúmeras possibilidades para conversar com sua amada. Como ele conhecia os costumes dela, sabia que em um determinado momento ela iria apanhar seu cavalo no estábulo para buscar flores.

Com muita cautela o tropeiro conseguiu aproximar-se dela. Coração acelerado, ansioso, mesmo assim conseguiu declamar uma poesia de amor para ela. E depois disse que a amava mais que tudo, desejava casar, ter filhos, fez as juras de amor de um apaixonado. A moça das flores ficou com a face avermelhada, as pernas ficaram trêmulas e o coração palpitava desesperadamente. Ela nem conseguia falar, não precisava. Diante da recíproca daquele amor, o tropeiro sugeriu algo para ela:

- Vamos fugir, Francisca? Ela respondeu ...“sim”!

A solução para a união daquele amor havia sido encontrada, não havia outro jeito, tinha que ser imediatamente. Como na fazenda todos tinham o costume de adormecer cedo para economizar querosene das lamparinas, assim que sentiu ser o momento adequado, a moça das flores pulou por uma janela, se acomodou no cesto de uma das mulas do tropeiro, saíram da fazenda sem alarde. Ninguém percebeu, a não ser, horas depois, quando os dois estavam a léguas de distância. Na época foi um escândalo.

Para quem não sabe, os cestos artesanais (cassuá, jacá) eram muito utilizados para entregar mercadorias. Eram confeccionados com fibras resistentes, suportavam peso. Alguns eram revestidos com couro, para que as encomendas não ficassem visíveis.

Francisca “a moça das flores” foi deserdada, nunca mais teve contato com seu pai e sua mãe. Foi o preço que pagou para estar ao lado de seu amor. Dizem que os dois tiveram muitos filhos, constituíram um lar feliz, na base do respeito e amor. Os dois se fixaram em Minas Gerais, na região de Alfenas, Paraguaçu. Dizem que por lá existem jardins maravilhosos!


Algumas postagens, nesse mês, serão dedicadas a tornar conhecidos jovens escritores: brasileiros e portugueses. Não haverá correção dos textos, mas respeito pela linguagem e estilo dos autores.


Autora: Marina Moreno Leite Gentile (Salvador / BA)

O novo capitalismo na era digital




Alguém discorda que a Inovação é a grande saída para construirmos uma economia criativa? Os Tech inovadores têm como mantra “O que você está fazendo pode mudar o mundo ou começar uma nova economia?” É a cultura da geração da generosidade, do movimente-se primeiro e do corra riscos!

Nada novo. Surpreso? A inovação da máquina a vapor criou o capitalismo. Um pouco depois entre 1896 e 1930 nasceram 1.800 fabricantes de carros, sobreviveram apenas três empresas e redesenharam a era industrial! Tanto os inventivos a vapor, como os fundadores da indústria automobilística tinham o sonho de mudar o mundo!

E neste momento, no apogeu da democracia das redes sociais, da inteligência universal e do livre mercado, fundamos a Cyber Humanidade, a Humanidade 4.0! É o espírito pioneiro se renovando, o mundo como um vilarejo, a era do supere-se e a era dos inovadores sociais – pessoas para as quais o outro é um valor em si!

Ingressamos na “Ilha Utopia” de Thomas More?  Que em 1516 escreveu que um dia existirá um mundo onde a não violência é possível, com prosperidade para todos em uma democracia universal, protegendo todas as diferenças e criando outras! Onde o lucro não será nada além do que uma obrigação, e não uma finalidade! Na ilha dissolvem-se as diferenças e fomenta-se a igualdade, eliminando por completo o conflito de suas potenciais possibilidades de materialização!

Ou decolamos na Hiperdemocracia de Jacques Atalli? Uma economia de mercado em que cada qual se mede em relação ao outro? Uma economia do altruísmo? O outro lhe possibilitará compreender que o amor por outrem, e portanto por si mesmo, é a condição da sobrevivência da humanidade? Pois quando mais se dá, mais se recebe, com o mantra – Se eu compartilho, eu não fico sem!

Ou embarcamos na “Aldeia Global” de  Marshall Mc Luhan que previu que o mundo no século XXI seria maravilhoso, uma espécie de “aldeia global”, com todos os seres falando a mesma lingua. Ou vivemos, num mundo onde a liberdade individual é um direito natural e inalienável como disse a quase 200 anos John Locke no livro “Tratado do Governo”.

Olhe em volta, a inovação digital é o motor da proliferação do capitalismo criativo do empreendedorismo da nova era! Da vitória do gosto pelo novo, pela paixão pela descoberta. Bem vindo à era do empreendedorismo digital e da democracia das redes sociais com abundância, velocidade e gratuidade!

Começou tímido, com Ebay, Google, Orkut, Linkendin, Buscapé, Uol, Netscape, Paypal, Ning, YouTube, Slideshare, Digg, Blogger, Twitter, Deli.cio.us entre outros! No início era a Wikipedia e sua revolução Francesa digital, mas na multiplicação colaborativa nascem sites como Digg, Stumble Upon,Wetpaint, Hype Machine, e Twine, e um exemplo notável de um coletivismo-emergente, uma nova forma de valorizar a ação comunitária e uma espécie de socialismo digital.

A arena é povoada por novos empreendedores digitais  com o Addict-o-match , The Filter e Collecta! Que são as naus da web semântica 3.0. Use ferramentas para empreender de igual para igual com os Tiranosauro rex do capitalismo primitivo! Conheça o inventivo conceito de Cloud Computing, e sua “deselitização” dos custos de TI e sirva-se de Joyent, Mosso ou da queridíssima Brasileira Locaweb.  Use as apresentações de Animoto, escreva como Machado de Assis com Zemanta. Venda como crommoncraft!

Posicione sua marca como um portal use e abuse de Frontpageslideshow. Utilize o design sensorial que poderá salvar o mundo no Inhabit. Solte o verbo no Podcast Gengibre. Veja como anda sua influência no Twitter no Twinfluence. Deleite-se e aprenda no Twitter, seguindo cientistas, pensadores e filósofos! Ou apenas faça parte da idiocracia seguindo técnicos de futebol ou senadores corruptos!

No Slideshare aprenda todo dia! Engaje sua audiência com Cover it live. Compartilhe documentos com Docstoc ou Scribd. Reveja as metas da sua empresa em KPI Library Navegue nas empresas Brasileiras da economia criativa como Videolog Tv, Ouvi Permission Ad Network, Gaia Creative, Trend Innovation, Camisetaria, Coletivu e Just Mail.

Trabalhou demais, veja a Torrel Eifel, a Ponte de São Francisco em tempo real, lá na Webcams Travel. Então, faça as malas e viaje de uma forma diferente em Singlespotcamping e AirBNB. Colabore contra o aquecimento global e a mudança climática produzindo energia alternativa, comprando e vendendo em Ecotricity, GreenEnergy ou Microgeneration. Adotou o vegetarismo vá no Veggie Trader.

Pinte o sete e exponha e venda seus trabalhos em GiftCardRescue e Drawn. Artesãos ou designers sua feira hyppie é na Etsy, Ponoko ou Spoonflower. Cansou de uma roupa venda no Enjoei.com a releitura dos brechós! Deseja vender as jóias que ganhou do seu ex-namorado vá à Antuérpia digital no site Ex-Boyfriend Jewelry. Precisa alugar algo para seu casamento, festa, reunião, empresa coisas baratas no HireThings! É o mercado das pulgas digitais!

“Nós todos temos algo valioso para dizer” este é o discernimento do site Ether .Vodafone, ABN-Amro, Siemens, Philips e Você estão usando o RedesignMe ou Springspotters para conseguir insigths de inovação, teste de produto e co-creation! Seja um diretor de inovação, dê uma boa idéia na Campbell’s Ideas for Innovation, Dell ou Starbucks. Sensacional! E pagam a você por isso!

Percebe como Open source é libertário, web colaborativa é libertador e a Democracia digital retira a opressão do mundo? Percebe como criamos um capitalismo solidário, criativo e com pitadas do socialismo! Uma nova cultura e economia, a nova propriedade coletiva e descentralização extrema! Sai as fazendas, fabricas coletivas, brocas, picaretas e pás. Entram as apps, scripts, API e redes sociais! Concluiu a Revista Wired!

Inovaçao em massa substituiu a produção em massa! Todos com o objetivo de construir um adorável mundo novo! É o “dot-comunismo” e a tão sonhada humanidade sem barrerira geográficas! Não acredita ainda no socialismo digital? Então, respire! A Replyforall é um site que levanta fundos para caridade, colocando na assinatura do e-mail de internautas anônimos informações sobre entidade filantrópicas! Ou seja, advogados de marcas e seus e-mails maravilhosos!

No Everyday Models e no DOmedia você é um patrocinado. Eles desejam sua atitude! Só cuidado para não sair por aí como um piloto de Fórmula 1. O CrowdSprout é o sindicato moderno dos pais, ele reúne mães que desejam comprar fraldas, cadeira altas, chupetas através de um tipo de leilão online! Pronto, chegou a hora de economizar!

Neighbo é uma plataforma on-line no Reino Unido que congrega os vizinhos, locadores e locatários  para ajudar a melhorar questões práticas da vizinhança! Ou Seja, eleições digitais para síndico! E com transparência radical! O c, mm, n é uma iniciativa open source para criar um modelo de green-car! e-engenheiros voluntários trabalhando por um mundo melhor! Qualquer um pode dar uma ideia para se criar um carro menos poluente e mais econômico!

O inventivo Badtimesbootcamp! ajuda desempregados a entrarem em boa forma, não ficarem deprimidos, criarem networking e encontrar um novo emprego em uma rede social! Em tempos de corte de orçamentos a ShortTask ajuda a encontrar trabalhadores qualificados para as empresas que precisam de ajuda com tarefas que são demasiada pequenas para justificar a contratação de um trabalhador.

Então são tempos de união! Vai ajudar? Vivemos ou não a era da cooperação empresarial? Camarada, contamos com você! Percebeu a árvore balançando? Sai a indústria de trabalho pesado e poluidor e entra o trabalho inteligente e comunitário! Em tempos exponenciais onde o consumismo está saturado, inovação e criatividade são as premissas para navegar neste adorável mundo novo! Está em alta pensar sustentável, fica em baixa o luxo, apenas como status!

Há quanto tempo você não faz algo subversivo? Um amigo disse que a educação de sua filha era toda baseada na repetição! Somos macacos amestrados? Eu discordo, veemente! Ora não somos anjos decaídos! Mas no cenário do capitalismo retrógado (com horários fixos, enjaulados em escritórios) não inovamos, não deixamos fluir nossa criatividade não há espaço para a imaginação! Então, que tal fazer algo completamente diferente?

E você não está na hora de criar, participar, contribuir, ganhar dinheiro e fazer empreendedorismo digital? Crie sua empresa nas horas vagas. Controle a sua vida! Criar um negócio na era digital é sentir-se inserido em um novo mundo! Neste novo mundo, você é o que você compartilha! O conceito de modernidade foi cunhado no século passado! Aprenda mutuamente! Vivemos tempos exponenciais, é o fim da classe média, da carteira assinada e da estabilidade! É a substituição da era do ter pela era do ser!

Os motes do novo século é “Outro mundo é possível?”, “O mundo não é uma mercadoria?” e Você é o que você compartilha!”. Uma dicotomia e dualidade em pleno capitalismo no século XXI  ressuscitar conceitos de Karl Max que previu “Tudo que é sólido, desmancha na rede (no ar)” ou “Humanos de todo mundo, nada temos a perder a não ser o que era nosso”. A inovação não é toda a história, mas é uma grande história! Onde não podemos usar velhos mapas, para descobrir novas terras!


Gil Giardelli (Especialista em mídias digitais, com 11 anos de experiência na era digital. Co-fundador da Gaia Creative, Justmail do Board da Amanaie e Startupi. Coordena os Cursos na ESPM de Ações Inovadoras em Comunicação Digital e Startups, economia criativa e empreendedorismo na era digital)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PISA: Algum Progresso...


Pisa 2009: Brasil está entre os países que mais evoluíram na educação, mas ainda ocupa as últimas posições no ranking internacional


RIO e BRASÍLIA - O Brasil está entre os três países que mais evoluíram na educação nesta década. A informação foi divulgada, nesta terça-feira, em Paris, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que tornou público o resultado do Programa Internacional de Avaliação dos Alunos 2009 (Pisa). Mas o estudo também revela que, mesmo com os avanços demonstrados, o país ainda amarga as últimas posições no ranking mundial.

A educação brasileira evoluiu 33 pontos entre os exames do Pisa de 2000 e 2009. Resultado superior foi obtido apenas pelo Chile, que teve um salto de 37 pontos, e por Luxemburgo, que cresceu 38 pontos. No ano 2000, a média brasileira era de 368 pontos, contra os 401 pontos registrados em 2009.

Apesar da melhora na participação, o Brasil ainda ocupa o 53º lugar no ranking geral, num total de 65 países que fizeram o exame. Os alunos brasileiros ficaram em 53º em ciências e leitura (superando Argentina, Panamá e Peru na América Latina, mas atrás de Chile, Uruguai, México e Colômbia) e em 57º em matemática.

No ranking geral dos países avaliados na América Latina, o Brasil fica à frente de Argentina e Colômbia, mas aparece 19 pontos atrás do México (49º), 26 pontos do Uruguai (47º) e 38 do Chile (45º).

Foram avaliados os processos educativos em 65 países, 34 deles da OCDE. Vinte mil estudantes brasileiros nascidos em 1993 responderam às provas de leitura, matemática e ciências.

Na avaliação Pisa feita por estados, o mais bem avaliado foi o Distrito Federal, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás, todos com média superior à média nacional. Os resultados confirmam o que as avaliações internas já indicam há bastante tempo: o desempenho dos alunos da rede pública é inferior ao de estudantes de instituições privadas. Enquanto a média alcançada por eles em escolas particulares foi de 502 pontos, nas públicas foi de 387 pontos.

Na média nacional, o Brasil cresceu, sobretudo, em matemática, em que passou de 334 pontos no ano 2000, para 386 pontos em 2009; em ciências passou de 375 para 405 e, em leitura, de 396 para 412. A meta do Plano de Desenvolvimento da Educação, traçada, lançado em 2007, era de atingir pelo menos 395 pontos de média nas três matérias.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, a valorização do professor deve ser um dos focos de ação nos próximos anos:

“A remuneração dos professores no Brasil tem que fazer o país reconhecer que dificilmente vamos chegar às metas de 2021 sem enfrentar essa questão de maneira decisiva. Nenhum país de alto desempenho educacional paga aos seus professores um salário menor do que a média das outras profissões de nível superior. No Brasil, o salário do professor é 40% menor” - comparou.

Além do investimento nos docentes - tanto na formação quanto na remuneração - o ministro destaca a necessidade de ampliação da pré-escola. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada, neste ano, determina que, até 2016, todas as crianças deverão estar matriculadas, na escola, a partir dos 4 anos de idade – hoje, a obrigatoriedade é a partir dos 6.

- Já está provado que a pré-escola tem impacto importante no desempenho dos alunos quando eles chegam ao ensino fundamental. A ampliação da obrigatoriedade vai atender as camadas mais pobres, sobretudo do Nordeste, e isso vai impactar o desempenho dos alunos – avaliou.


Vejamos a colocação dos Estados brasileiros na avaliação:


Publicada em 07/12/2010 às 11h09min


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Crônica Literária



Quanto nós merecemos?
Lya Luft

O ser humano é um animal que deu errado em várias coisas. A maioria das pessoas que conheço, se fizesse uma terapia, ainda que breve, haveria de viver melhor. Os problemas podiam continuar, ali, mas elas aprenderiam a lidar com eles.

Sem querer fazer uma interpretação barata ou subir além do chinelo: como qualquer pessoa que tenha lido Freud e companhia, não raro penso nas rasteiras que o inconsciente nos passa e em quanto nos atrapalhamos por achar que merecemos pouco.

Pessoalmente, acho que merecemos muito: nascemos para ser bem mais felizes do que somos, mas nossa cultura, nossa sociedade, nossa família não nos contaram essa história direito. Fomos onerados com contos de ogros sobre culpa, dívida, deveres e… mais culpa.
Um psicanalista me disse um dia:

– Minha profissão ajuda as pessoas a manter a cabeça à tona d’água. Milagres ninguém faz.
Nessa tona das águas da vida, por cima da qual nossa cabeça espia – se não naufragamos de vez –, somos assediados por pensamentos nem sempre muito inteligentes ou positivos sobre nós mesmos.

As armadilhas do inconsciente, que é onde nosso pé derrapa, talvez nos façam vislumbrar nessa fenda obscura um letreiro que diz: “Eu não mereço ser feliz. Quem sou eu para estar bem, ter saúde, ter alguma segurança e alegria? Não mereço uma boa família, afetos razoavelmente seguros, felicidade em meio aos dissabores”. Nada disso. Não nos ensinaram que “Deus faz sofrer a quem ama”?

Portanto, se algo começa a ir muito bem, possivelmente, daremos um jeito de que desmorone – a não ser que tenhamos aprendido a nos valorizar.

Vivemos o efeito de muita raiva acumulada, muito mal-entendido nunca explicado, mágoas infantis, obrigações excessivas e imaginárias. Somos ofuscados pelo danoso mito da mãe santa e da esposa imaculada e do homem poderoso, pela miragem dos filhos mais que perfeitos, do patrão infalível e do governo sempre confiável. Sofremos sob o peso de quanto “devemos” a todas essas entidades inventadas, pois, afinal, por trás delas existe apenas gente, tão frágil quanto nós.

Esses fantasmas nos questionam, mãos na cintura, sobrancelhas iradas:

– Ué, você está quase se livrando das drogas, está quase conquistando a pessoa amada, está quase equilibrando sua relação com a família, está quase obtendo sucesso, vive com alguma tranquilidade financeira… será que você merece? Veja lá!

Ouvindo isso, assustados réus, num ato nada falho tiramos o tapete de nós mesmos e damos um jeito de nos boicotar – coisa que, aliás, fazemos demais nesta curta vida. Escolhemos a droga em lugar da lucidez e da saúde; nos fechamos para os afetos em lugar de abrir espaço para eles; corremos atarantados em busca de mais dinheiro do que precisaríamos; se vamos bem em uma atividade, ficamos inquietos e queremos trocar; se uma relação floresce, viramos críticos mordazes ou traímos o outro, dando um jeito de podar carinho, confiança ou sensualidade.

Se a gente pudesse mudar um pouco essa perspectiva, e não encarar drogas, bebida em excesso, mentira, egoísmo e isolamento como “proibidos”, mas como uma opção burra e destrutiva, quem sabe poderíamos escolher coisas que nos favorecessem. E não passar uma vida inteira afastando o que poderia nos dar alegria, prazer, conforto ou serenidade.

No conflitado e obscuro território do inconsciente, que o velho sábio Freud nos ensinaria a arejar e iluminar, ainda nos consideramos maus meninos e meninas, crianças malcomportadas que merecem castigo, privação, desperdício de vida. Bom, isso também somos nós: estranho animal que nasceu precisando urgente de conserto.

Alguém sabe o endereço de uma oficina boa, barata, perto de casa – ah, e que não lide com notas frias?

Crônica Literária


SÓ JESUS
Maitê Proença

Corta a cabeça, arranca o olho, enforca, trucida. Estamos de mãos atadas assistindo à justiça que não se faz com esta gente de quinta que governa o país. A vontade é partir para barbárie. Pois se botamos o canalha ali pra manter a ordem e suprir as necessidades do Estado, com que direito eles armam pandemônios por benefícios pessoais?

A resposta vai longe e está na formação do Brasil.

Este era um país de índios cheio de riquezas quando os portugueses chegaram com sua agenda de exploração. Não houve aqui um processo para a criação de Estado, apenas colocaram uma autoridade para garantir que todo ouro, diamante e açúcar retirados, fossem parar no destino certo, ou seja, Portugal. As coisas permaneceram assim, até 1807 quando a Península Ibérica foi ocupada por forças napoleônicas. Dom João VI então, para não se render, fugiu de Portugal para sua colônia mais rica, transformando-a do dia pra noite em reino, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Fomos assim promovidos; por decreto. E o status mudou, mas o tira daqui e manda pra lá continuou igual. A vida ficou nisso até que, encerrada a ocupação napoleônica, D. João voltou pra pátria mãe deixando aqui seu filho Pedro I, um bon-vivant que gostava de música e de mulheres. Pedro namorava muito e adorava o Brasil, tanto, que ao ser chamado de volta para assumir as funções do pai, não quis saber. Disse o "fico" em janeiro de 1822 e em setembro, numa viagem pra namorar a Marquesa de Santos, gritou o "independência ou morte". Pagamos uma elevada indenização, mas pela primeira vez nossas riquezas eram nossas. A coisa ia desta forma quando Dom Pedro, por divergências com parlamentares, decidiu abandonar o barco e voltar para a Europa deixando o filho, uma criança, em seu lugar. Com tutores administrando o reino, a situação política complicou-se até que, para se restabelecer a ordem, e novamente, num golpe de gabinete, Pedro II aos 14 anos de idade, foi coroado Imperador do Brasil. Por 50 anos Dom Pedro governou a nação pacificando as diferenças entre regiões e consolidando o grande território brasileiro. Não fosse ele teríamos nos pulverizado como aconteceu com os diversos países de língua espanhola que nos cercam. Contudo, um punhado de políticos insatisfeitos, em 1889, armou novo golpe de gabinete e destituiu o imperador. Horas depois, sem aviso e na calada da noite por medo de que o povo não gostasse, enxotaram daqui a família real. Assim nasceu a república.

Quatrocentos anos em grossas pinceladas - a intenção não é esmiuçar a história, mas entender porque nossos dirigentes estão andando pros cidadãos que os elegeram, e porque o cidadão não se sente representado por seus governantes. É que, historicamente, ele nunca foi consultado. O Estado aqui sempre foi instituído de cima pra baixo, de maneira desordenada, por gente que gostava demais de poder e dinheiro. Gente com agenda própria que até hoje governa nos moldes coloniais: faço a ordem - que vale pros outros - e depois arranco a grana deles pra botar lá em casa.

Por que nos EUA, ex-colônia, também, o sistema funciona e é respeitado pelos cidadãos? Por que será, que mesmo quando o governo americano desconsidera a ética internacional, matando, humilhando e invadindo países que nunca os ameaçaram, a imprensa poupa seus mandatários e o povo os mantém no poder? Recentemente, porque o momento não era para novidades; mas, em geral e, sobretudo, porque ali as coisas principiaram de forma diferente. Enquanto o Brasil era povoado por prisioneiros, degredados e aventureiros gananciosos, na América do norte chegavam os Quakers e Pilgrims, uma gente com ideologia, saída da revolução protestante em que o homem repudiara a tutela sacerdotal católica para ser autor de seu destino; você é o que você faz. Com trabalho duro essa gente pôs-se a construir uma nação. Quando a casa estava de pé e após longa guerra de libertação, mandaram os ingleses de volta pra Europa e tomaram posse do que lhes pertencia. Foi o povo que ergueu o país, criou a república, e estabeleceu um processo democrático. Portanto, ali, o estado atende a quem o formou e o cidadão, em resposta, oferece seu apoio incondicional. E a coisa funciona.
Mas perfeição é artigo difícil, e os americanos coitados, são sérios demais, julgadores demais, e inflexíveis de dar dó. Já a gente da minha terra... é toda cheia graça. Então, Senhor, tu que nos deste o país mais bonito, bota vergonha em quem não tem nenhuma, arruma esse caos, faze um milagre. E depois Senhor, com tudo no jeito, impõe a justiça, e entrega esta pátria para quem gosta dela.


FONTE: http://www.maite.com.br/

Redação


Crônica: um gênero literário

A crônica é um gênero literário que, a princípio, era um "relato cronológico dos fatos sucedidos em qualquer lugar"1, isto é, uma narração de episódios históricos. Era a chamada "crônica histórica" (como a medieval). Essa relação de tempo e memória está relacionada com a própria origem grega da palavra, Chronos, que significa tempo. Portanto, a crônica, desde sua origem, é um "relato em permanente relação com o tempo, de onde tira, como memória escrita, sua matéria principal, o que fica do vivido"2.

 A crônica se afastou da História com o avanço da imprensa e do jornal. Tornou-se "Folhetim". João Roberto Faria no prefácio de Crônicas Escolhidas de José de Alencar nos explica:

"Naqueles tempos, a crônica chamava-se folhetim e não tinha as características que tem hoje. Era um texto mais longo, publicado geralmente aos domingos no rodapé da primeira página do jornal, e seu primeiro objetivo era comentar e passar em revista os principais fatos da semana, fossem eles alegres ou tristes, sérios ou banais, econômicos ou políticos, sociais ou culturais. O resultado, para dar um exemplo, é que num único folhetim podiam estar, lado a lado, notícias sobre a guerra da Criméia, uma apreciação do espetáculo lírico que acabara de estrear, críticas às especulações na Bolsa e a descrição de um baile no Cassino."3

O folhetim fazia parte da estrutura dos jornais, era informativa e crítica. Aos poucos foi se afastando e se constituindo como gênero literário: a linguagem se tornou mais leve, mas com uma elaboração interna complexa, carregando a força da poesia e do humor.

 Ainda hoje há a relação da crônica e o jornalismo. Os jornais ainda publicam crônicas, diariamente, mas seu aspecto literário já é discutível. O próprio fato de conviver com o efêmero propicia uma comunicação que deve ser reveladora, sensível, insinuante e despretenciosa como só a literatura pode ser. É "uma forma de conhecimento de meandros sutis de nossa realidade e de nossa história..."2.

 No Brasil, a crônica se consolidou por volta de 1930 e, atualmente, vem adquirindo uma importância maior em nossa literatura graças aos excelentes escritores que resolveram se dedicar exclusivamente a ela, como Rubem Braga e Luís Fernando Veríssimo, além dos grandes autores brasileiros, como Machado de Assis, José de Alencar e Carlos Drummond de Andrade, que também resolveram dedicar seus talentos a esse gênero. Tudo isso fez com que a crônica se desenvolvesse no Brasil de forma extremamente significativa. 

Na crônica, "Tudo é vida, tudo é motivo de experiência e reflexão, ou simplesmente de divertimento, de esquecimento momentâneo de nós mesmos a troco do sonho ou da piada que nos transporta ao mundo da imaginação. Para voltarmos mais maduros à vida..."4

As características abaixo foram citadas por vários autores que tentaram entender a crônica enquanto estilo literário:

·       Ligada à vida cotidiana.
·       Narrativa informal, familiar, intimista.
·       Uso da oralidade na escrita: linguagem coloquial.
·       Sensibilidade no contato com a realidade.
·       Síntese.
·     Uso do fato como meio ou pretexto para o artista exercer seu estilo e criatividade.
·        Dose de lirismo;
·        Natureza ensaística.
·         Leveza.
·         Diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa fiada.
·         Uso do humor.
·         Brevidade.
·         É um fato moderno: está sujeita à rápida transformação e à fugacidade da vida moderna.

Criatividade versus Inovação



Educação / Emprego


UMA BIOGRAFIA QUE VALE A PENA CONFERIR

Waldez Luiz Ludwig é palestrante, instrutor e consultor em gestão empresarial;  formado em Psicologia pela Universidade de Brasília e em Teatro pela Fundação Brasileira de Teatro. Trabalhou como Analista de Sistemas durante vinte anos para órgãos e empresas públicas e privadas.

Há dez anos, como consultor independente, dedica-se à pesquisa da vanguarda em cenários e tendências da gestão das organizações, especialmente em temas ligados a estratégias competitivas, mercado de trabalho, criatividade e inovação, melhoria da qualidade e desenvolvimento do capital intelectual.

Mais de 200.000 pessoas já o assistiram ao vivo em mais de 800 eventos nos quais participou como instrutor ou palestrante nos últimos 10 anos.


TEMAS ABORDADOS:

Nova economia, novo consumidor, estratégias para o crescimento empresarial e pessoal.

Novo milênio, nova economia, novo cidadão.

A maior invenção do século XXI é você.

A única diferença do negócio: o ser humano.

Gestão do capital intelectual.

Gestão do conhecimento: como melhorar o principal ativo da organização.

Competitividade em tempos de grandes mudanças.

Competitividade em três tempos: estratégia, inovação e qualidade.

Inovação e criatividade para a excelência empresarial e realização pessoal.

A transformação do perfil gerencial: uma liderança para resultados.

Liderança e motivação para a melhoria da qualidade e o crescimento.

Como ter trabalho num mundo sem emprego.

Qualidade e produtividade: uma estratégia para a excelência e o crescimento.

A modernidade e a excelência na administração de serviços.

Um show de atendimento faz a diferença.


PRINCIPAIS TÓPICOS:

Educação Corporativa, estratégias competitivas, mercado de trabalho, criatividade e inovação, melhoria da qualidade e desenvolvimento do capital intelectual.

VALE A PENA ACESSAR:

Entrevista ao Jô Soares:

Entrevista ao Sem Censura: