terça-feira, 6 de setembro de 2016



Guerra ontem, hoje, amanhã
Ellen de Brito Leal,

            Desde os tempos mais antigos há, na história, registros de guerras, como por exemplo, entre os maias, incas e astecas. Querendo ou não, o homem parece ter nascido para destruir tudo que há a sua volta. Os que têm poder não saem prejudicados, e são os primeiros a serem proclamados vítimas. Desde o começo da civilização, as pessoas entram em guerras. Não importa o quanto o mundo avance, ainda há pessoas em guerra. Parece que a humanidade atual está mais propensa à brutalidade e à dor do que à paz.

            O mundo esteve constantemente em guerras, desde que se iniciaram os tempos. A Guerra do Peloponeso, a Queda da Bastilha, na França, dos tempos de Napoleão; a Primeira e a Segunda Guerra Mundial; o ataque às Torres Gêmeas, no dia 11 de Setembro de 2001; atentados terroristas, como por exemplo, contra um dos bairros franceses, em 2015;  outro   em  2016  em  um  aeroporto e  em  um  metrô  em  Bruxelas.  Todos    esses acontecimentos, citados acima, mostram como o ser humano é cruel com o seu semelhante. Assim, não podemos deixar que as crianças se tornem, no futuro, como algumas dessas pessoas, precisamos dar a elas uma educação rígida, com limites estabelecidos.

            Os governantes não querem saber se as pessoas que nada têm a ver com a guerra estão sofrendo, eles só pensam neles mesmos. E foi nesse contexto que o mundo veio sendo construído. Como ilustração disso, perguntamos: quantos imperadores, na antiguidade, alguns citados anteriormente, não arriscaram tudo para vencerem?  E as pessoas que perdem (perderam) tudo, até a própria vida, quando suas casas são (foram) atingidas? Nós sabemos o que acontece (ram) com elas. Alguns se importam com isso, outros nem pensam sobre. Desse modo, é preciso  protestar contra esses governantes, fazer valer a voz do povo, fazer greves e palestras sobre tal posicionamento.

            Dessa forma, as guerras avançam junto com o mundo e para impedi-las, os governantes devem conter os rebeldes e fazer acordos para manter a paz. E estes precisam manter os acordos e não matar pessoas inocentes. Por último, a população pode fazer parte de ONGs não governamentais, realizar protestos contra as guerras e organizar palestras informativas para os mais jovens. Notam-se os prejuízos que a guerra pode causar. É desumana, doentia e degradante. É a mais suja covardia. 

PS.: Ellen Brito Leal é aluna no 2º Ano do Colégio Floresta, SP.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

MODELO DE DISSERTAÇÃO BEM-ELABORADA


AS FACES DA BAJULAÇÃO
Carolina Destro Borges

“Todo bajulador vive à custa de quem lhe dá ouvidos”. Jean de La Fontaine revela que a bajulação é uma relação de afeto mútuo em que o locutor é alimentado pela inocência da vítima. A adulação é dotada de opiniões divergentes, ora é considerada um defeito, ora uma virtude. Contudo, o ato de bajular traz consequências, e algumas dúvidas surgem: quais os motivos de se tornar um bajulador? O que a prática da bajulação pode acarretar aos envolvidos? Se afetada, como a vítima reage à ação do outro?
O bajulador, vulgarmente chamado de puxa-saco, age com propósitos vários, previamente estabelecidos. As razões que levam um indivíduo a essa prática estão fundamentadas em um objetivo final: o próprio benefício. A fábula “O Corvo e a Raposa” de La Fontaine aborda esse tema envolvendo uma personagem que, geralmente, é vista como bajuladora, a raposa. Esta elogia o corvo e consegue um pedaço de queijo, porém a bajulação vai muito além... O lisonjeador pode ter motivos maiores, como elevar-se em um grupo deixando os outros prejudicados, aquém daquele. Portanto, os aduladores têm diversos motivos, porém sempre almejam tirar proveito da situação.
A bajulação massageia o ego do bajulado e acaba por acarretar consequências. Por sua vez, o adulado pode responder de diferentes maneiras: caso o ato de bajular influencie positivamente, a autoestima da vítima aumenta, porém se o contrário ocorrer, isto é, caso a influência seja negativa, pode causar depressão e o sentimento de ódio. Francis Bacon, o fundador da ciência moderna, disse “a baixeza mais vergonhosa é a adulação”, qualificando “adular” como um termo pejorativo. A bajulação é vista como a necessidade de ouvir o que deseja e a incapacidade de aceitar a verdade. Sendo assim, a lisonja virtuosa, ou não, resulta em consequências.
Dessa maneira, a adulação é enfrentada de diversas formas e possui diferentes causas e efeitos. Por isso algumas mudanças são imprescindíveis para que a honestidade prevaleça. Cabe às empresas promoverem palestras de alerta à sociedade. Além disso também é necessário que as escolas façam debates sobre prevenção à bajulação. Porém, a mudança mais efetiva abarcaria a educação que os pais dão aos seus filhos, mostrando-lhes que a sinceridade é sempre o caminho certo a ser seguido. Assim, poderíamos viver em um mundo mais justo e verdadeiro.

domingo, 19 de junho de 2016

Política e Festival de Cannes

O que pensar?

Para não dizer que já interpretei, há muito tempo, o contexto político do nosso país...



Bem assim!!!!

http://www.cartacapital.com.br/politica/protesto-na-estreia-de-aquarius-foi-simbolico-e-eterno

CLARICE LISPECTOR E A EXPERIÊNCIA SUBJETIVA EM A PAIXÃO SEGUNDO G.H





Acessem o texto abaixo:


https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8581370080405228964#editor/src=sidebar

A LENDA DO REI ARTHUR: ALGUMAS CURIOSIDADES




Caros leitores,

os quais gostam de ampliar vivências aproveitando a abertura universal das artes, sejam elas cinematográficas, musical, literária, pintura, arquitetura ou as moderna minisséries - que não deixem de ler esse material sobre uma das novelas de cavalaria mais famosas:

"Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda" ( ver link abaixo) ou ainda  de assistir a Camelot (minissérie).

63576http://homoliteratus.com/a-lenda-do-rei-arthur-algumas-curiosidades/#comment-63576

terça-feira, 14 de junho de 2016


Agora, uma crônica da minha autoria:

AMOR NO LIXO
Deusdélia Pereira Vilas Boas

          Manhã fria em São Paulo, no coração de São Miguel Paulista, Zona Leste da capital. Uma corrente gélida enfiava-se em meio aos fios tão bem urdidos do meu casaco e estremecia-me o corpo. Outro era o estremecimento da minha alma. Isso sim, naquele dia, mudaria minha percepção sobre o amor. A rua, já tomada pelo formigueiro humano de todo dia, obrigava os transeuntes a se apertarem diante de uma agência bancária. Não sei se contei que o fato ocorreu numa das avenidas mais movimentadas do bairro o que tornava turva a visão de qualquer observador sobre os episódios que realmente brotavam da multidão em trânsito por ali. 

Embora o intuito de cada indivíduo que tomara seu lugar na fila fosse, primeiramente, o de realizar alguma transação financeira, uma cena incrível me obrigou a uma leitura rápida ali mesmo, em pé, na barulhenta calçada. Todavia, o clima gelado não era empecilho para a fila que se esticava e tomava forma em frente a tal agência em São Miguel Paulista. A extensão de quase meia quadra evidenciava tanto a velha e tradicional fila da qual, dificilmente, o brasileiro poderia escapar como também parecia obra da providência: oportuno testemunho de um fato intrigante entre dois moradores de rua. Essa cena jamais seria apagada da minha memória leitora, inquieta e perscrutadora dos fatos. 

Mês dos Namorados, dos amantes, dos casados, dos mal ajuntados, dos estáveis e instáveis. Não importava que tipo de conjunção cada um admitisse... Mas a verdade é que resmunguei decidida para um colega, professor de Biologia:
- Dar-lhe um real? Jamais!! Levanto-me de madrugada, trabalho de aula a aula... Como? Um real para quê?
- Senhora, um real, por favor!! – insistia o morador mais novo daquele lugar. 

Novo pelo menos para mim que acabara de conhecê-lo e não gostara de forma alguma da abordagem econômica que me fizera tão cedo do dia - embora eu já estivesse acordada, pois me pusera a corrigir, desde as duas horas da madrugada, os textos dos meus escritores mais devotados, ou mesmos os daqueles a que obriguei ao intratável ofício. Um real... Esse era o valor que, pedia às pessoas, o mendigo dono da cama bem ali, diante do meu olhar inconformado. Cama dura, desarrumada, cercada de papelão, evidenciando a noite onde dormira recentemente o casal – fato que não perturbara meu espírito frio naquela manhã.

Apesar das evidências sobre nossa diferença social, decididamente, eu recusei a ouvir seu pedido. Afinal, quem em lúcida consciência sobre a vida, o estudo, o trabalho, a justiça, o esforço lhe daria um real? Certamente muitos se condoeram do homem mal vestido, mal agasalhado, mal interpretado, malquisto, mal apresentado, malcheiroso, mal tudo...

Continuava imersa nessas curtas reflexões tendenciosas, tentando dar significado à minha permanência naquela fila, pois, honradamente, conquistara meu salário, minha vida, minha amargura, meu pesar, minha indiferença...  E mais: sentia-me dona do meu destino, da minha completa indignação quando os vi a conversarem a poucos metros da fila. Não fora possível saber sobre o que falavam e continuei a entabular conversa com o colega sem insistir em entender qualquer ponto ou vírgula da prosa entre os dois, aparentemente desinteressada.

Não demorou muito quando vi o homem retornando com uma garrafa suja. De posse do objeto, a mulher entornou-o e de um gole só devorou o seu conteúdo. Foi exatamente naquele momento que me enxerguei pelo avesso. 

A mulher que, usava chinelos velhos para agasalhar os dedos sujos, voltou-se  para o pobre homem e puxou-o para junto de si, colando o seu corpo no dele, de forma que o céu tornou-se o seu teto iluminado, e deu-lhe um beijo cinematográfico.

Não sei se todos viram como vi. Mas, se eu não ganhara algum beijo naquela manhã, bem-aventurada era aquela mulher, porque soube retribuir o gesto do companheiro de sorte, parceiro da cama de papelão, amante das calçadas de São Paulo, cuja costela aquecia as suas noites frias.

E agora o beijo? Nossa! Ele nem percebeu que ela era banguela, nem reclamou da falta de perfume, muito menos do cabelo sem corte, sem escova, sem chapinha. Simplesmente deixou ser beijado por ela naquela manhã fria dos namorados. 

Não sei se tomada de inveja, de surpresa, de mal-estar social, fui obrigada a engolir a seco a verdade incontestável: os dois mereciam o dinheiro. Um real não era nada diante daquela demonstração de afeto, de amor... Portanto, o tal sentimento mostrou sua face magnetizada, vivaz, sem teto - porque ali - contando apenas com o céu por testemunha, ou melhor, comigo, aluna da maior lição: AMOR no LIXO – longe do lençol branco perfumado, da cama macia, do teto, das velas, dos jantares, dos presentes – AMOR no LIXO, simplesmente AMOR.

A partir de hoje vou publicar os 30 melhores contos segundo "Homo Literatus". Incrível! Dos brasileiros, só Machado de Assis entre os escritores escolhidos - com o conto "Missa do Galo".

Confiram o primeiro:

À Deriva
Horácio Quiroga

O homem pisou algo brando e mole e, em seguida, sentiu a picada no pé. Saltou para frente, e ao se voltar com um palavrão, viu a jararacuçu que se recolhia sobre si mesma; preparava outro ataque.

O homem lançou uma rápida olhada a seu pé, de onde duas gotinhas de sangue engrossavam dificultosamente, e então sacou o facão da cintura. A víbora viu a ameaça, e fundiu mais a cabeça no centro mesmo de sua espiral; porém o facão caiu sobre ela, deslocando-lhe as vértebras.

O homem abaixou-se para olhar a mordida, limpou as gotinhas de sangue, e durante algum tempo contemplou. Uma dor aguda nascia dos dois pontinhos violeta, e começava a expandir-se por todo o pé. Apressadamente, amarrou o tornozelo com o lenço que trazia amarrado à cintura, e seguiu pela picada até seu rancho.

A dor no pé aumentava, e de repente, o homem sentiu dois ou três fulgurantes pontadas que como relâmpagos haviam-se irradiado da ferida, até a metade da panturrilha. Movia a perna com dificuldade; uma sede metálica na garganta, seguida de uma sede ardente, arrancou-lhe outro palavrão.

Chegou finalmente ao rancho, e abraçou a roda do moinho. O dois pontinhos violeta desapareciam agora na monstruosa inchação do pé inteiro. Parecia-lhe enfraquecida, e a ponto de ceder, de tão tensa. O homem quis chamar sua mulher, mas sua voz se quebrou num grunhido rouco de garganta ressecada. A sede o devorava.

— Dorotea! — conseguiu lançar um grito. — Me dá cachaça!

Sua mulher correu com um copo cheio, que o homem sorveu de três tragos. Porém não havia sentido gosto algum.

— Te pedi cachaça, não água! — rugiu de novo. — Quero cachaça!

— Mas é cachaça, Paulino! — protestou a mulher, espantada. 

— Não, me deste água! Quero cachaça, te digo!

A mulher correu outra vez, voltando com o garrafão. O homem bebeu um atrás do outro três copos, porém não sentiu nada na garganta.

— Bom, isto está feio... - murmurou então, olhando seu pé lívido e já com um brilho gangrenoso. Sobre a intensa atadura do lenço, a carne transbordava como uma pavorosa morcela.

As dores fulgurantes sucediam-se em relâmpagos contínuos, e chegavam agora à virilha. Além disso, a atroz sequidão da garganta que o esforço parecia esquentar mais, aumentava. Quando pretendia encorpar-se, um fulminante vômito manteve-o meio minuto com a testa apoiada na roda de madeira.

Mas o homem não queria morrer, e descendo à costa, subiu em sua canoa. Sentou-se na popa e começou a remar até o centro do Paraná. Ali, a correnteza do rio, que nas imediações do Iguaçu corre por seis milhas, o levaria antes de cinco horas a Tacurú-Pucú.

O homem, com fatigada energia, pode efetivamente chegar até o meio do rio; no entanto, ali suas mãos dormentes deixaram cair o remo na canoa, e por causa de um novo vômito — de sangue esta vez —, dirigiu um olhar ao sol que transpunha a montanha.

A perna inteira, até metade da coxa, era já um pedaço disforme e duríssimo que rompia a roupa. O homem cortou a ligadura e abriu a calça com a faca: a parte inferior desbordou inchada, com grandes manchas lívidas e terrivelmente dolorosas. O homem pensou que não poderia jamais chegar sozinho a Tacurú-Pucú, e decidiu pedir ajuda a seu compadre Alves, embora fizesse muito tempo estivessem intrigados um com o outro.

A correnteza do rio precipitava-se agora para a costa brasileira, e o homem pode facilmente atracar. Arrastou-se pela picada costa acima, porém a vinte metros, exausto, ficou estendido de costas.

— Alves! — gritou com a força que pode; e prestou atenção em vão.

— Compadre Alves! Não me negue este favor! — clamou de novo, levantando a cabeça do solo.

No silêncio da selva, não se ouviu um só rumor. O homem teve ainda forças para chegar até sua canoa, e a correnteza, apoderando-se dela de novo, levou-a à deriva.

O Paraná corre ali no fundo de uma imensa depressão, cujas paredes, com altura para lá de cem metros, estreitam funebremente o rio. Desde as margens cercadas de negros blocos de basalto eleva-se o bosque, negro também. Adiante, às costas, sempre a eterna muralha lúgubre, em cujo fundo o rio afunilado se precipita em incessantes erupções de água lodosa. A paisagem é agressiva, contudo, sua beleza sombria e calma cobra uma majestade única.
O sol havia já havia caído, quando o homem, estendido no fundo da canoa, teve um violento calafrio. E, de repente, com assombro, pôs na vertical pesadamente a cabeça: sentia-se melhor. Somente a perna lhe doía, a sede apagava-se, e seu peito, livre já, abria-se em lenta inspiração.

O veneno começar a ir-se, não havia dúvida. Achava-se quase bem, e embora não tivesse forças para mover a mão, contava com a vinda do orvalho para repor-se todo. Calculou que antes de três horas estaria em Tacurú-Pucú.
O bem-estar progredia e, com ele, uma letargia cheia de recordações. Não sentia mais nada na perna nem no ventre. Viveria ainda seu compadre Gaona em Tacurú-Pucú? Por acaso veria também seu ex-patrão, mister Dougald, e o encarregado de obras?

Chegaria repentinamente? O céu, a poente, abria-se agora num resplendor de sangue, e o rio se havia avermelhado também. Da costa paraguaia, já em trevas, a montanha deixava cair sobre o rio sua frescura crepuscular, em penetrantes eflúvios de flores de laranjeiras e mel silvestre. Um casal de araras cruzou o céu muito alto e em silêncio até o Paraguai.

Lá embaixo, sobre o rio de ouro, a canoa derivava velozmente, girando de tempos em tempos sobre si mesma, ante a erupção de um remoinho. O homem que ia nela se sentia cada vez melhor, e pensava no tempo justo em que havia passado sem ver seu ex-patrão Dougald. Três anos? Talvez, não tanto. Dois anos e nove meses? Talvez. Oito meses e meio? Isso sim, certamente.

De repente, sentiu que estava gelado até o peito. Que seria? E a respiração...

Ao madeireiro de mister Dougald, Lorenzo Cubilla, havia conhecido em Puerto. Esperança em Sexta-feira Santa...Sexta-feira? Sim, ou quinta-feira...

O homem estendeu lentamente os dedos da mão.

— Uma quinta-feira...

E parou de respirar.
ATENÇÃO:
O conto “À Deriva” foi extraído do livro “Cuentos de Amor, de Locura y de Muerte”, publicado em 1917. A tradução livre é de Jádson Barros Neves.
 PS.:Sobre a sua vida e obra (Vale a pena ler): 

http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=638060 

FONTE: http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/-deriva

domingo, 16 de junho de 2013

LITERATURA

AS CINCO VANGUARDAS EUROPEIAS (CONTEÚDO ADAPTADO):

Por Cássio José

As vanguardas europeias foram manifestações artístico-literárias que passaram pelo Panorama da Literatura do Brasil e deixaram de certa forma, sua contribuição, no que podemos dizer ruptura da estética até então reinante no nosso país. De acordo com o que se vê por parte dos postulantes da Literatura, foi na Semana da Arte Moderna que essas “estéticas literárias” foram influenciando os pensamentos de alguns literatos brasileiros pela inovação que se pretendia. Aqui, por fins acadêmicos, trataremos das seguintes correntes de estética europeia que em dado momento foi pressuposto para esse pensamento ideológico de Modernismo na Literatura Brasileira: Expressionismo, Cubismo, Futurismo, Dadaísmo e Surrealismo

EXPRESSIONISMO: Surgido em 1910, foi manifestação de povos nórdicos, germânicos e eslavos. Essa tendência expressou a angústia do período anterior à Primeira Guerra Mundial, voltando-se para os produtos artísticos dos primitivos e para as manifestações do mundo interior, expressas no uso aleatório de cores intensas e distorção das formas, como atesta o quadro O grito, do norueguês Edvard Munch.

Ficha Técnica - O GRITO
Autor: Edvard Munch
Onde ver: Galeria Nacional, Oslo, Noruega
Ano: 1893
Técnica: Óleo e pastel sobre cartão
Tamanho: 91cm x 73,5cm
Movimento: Expressionismo

Ler a resenha sobre a tela acima: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3840734

CUBISMO: Em 1907, Pablo Picasso pintou Lês demoiselles d‘Avignon (As senhoritas de Avignon) e inaugurou o Cubismo. Segundo essa tendência, as figuras, reduzidas a formas geométricas apresentam, ao mesmo tempo, o perfil e a frente, mostrando mais de um ângulo de visão. A literatura cubista, inaugurada por Apollinaire, preocupou-se com a construção física do texto: valorizou o espaço da folha e a camada significante das palavras e negou a estrofe, a rima, o verso tradicional. Esse seria o embrião da nossa poesia concreta, da década de 50.
Ficha Técnica : LES DEMOISELLES D’AVIGNON
Autor: Pablo Picasso
Ano: 1907
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 243,9cm x 233,7cm
Movimento Artístico: 
cubismo
Museu: Museu de Arte Moderna, Nova Iorque.


FUTURISMO: Essa estética celebrava os signos do novo mundo – a velocidade, a máquina, a eletricidade, a industrialização. Apregoando a destruição do passado e dos meios tradicionais de expressão literária, o Futurismo (tendência que mais influenciou a primeira fase do Modernismo) propunha:

- Liberdade de expressão;
- Destruição da sintaxe;
- Abolição da pontuação
- Uso de símbolos matemáticos e musicais;
- Desprezo ao adjetivo e ao advérbio.
- Apologia da máquina, da velocidade, da luz e da própria sensação dinâmica;
- Libertação e exaltação das energias;
- Exaltação do presente, da velocidade e das formas dinâmicas produzidas pela civilização, refletindo a vida moderna;
- Alternância de planos e sobreposição de imagens, ora fundidas, ora encadeadas, para dar a noção de velocidade e dinamismo;
- Arabescos contorcidos, linhas circulares emaranhadas, espirais e elipses;
- Geometrização dos planos em ângulo agudo, mais dinâmico, abolindo totalmente os ângulos retos cubistas na organização espacial, permitindo a sugestão da fragmentação da luz;
- Cores muito contrastadas, em composições violentas e chocantes.


Ficha Técnica - DINAMISMO DE UM CICLISTA:
Autor: Umberto Boccioni 
Onde ver: Acervo particular 
Ano: 1913 
Técnica: Óleo sobre tela 
Tamanho: 70cm x 95cm 
Movimento: Futurismo


DADAÍSMO: Este foi o mais radical e destruidor movimento da vanguarda européia. Fundado por Tristan Tzara, negava o presente, o passado, o futuro e defendia a idéia de que qualquer combinação inusitada promove um efeito estético. O Dadaísmo refletiu um sentimento de saturação cultural, de crise social e política.


Ficha Técnica - O Crítico de Arte:
Autor: Raoul Hausmann 
Onde ver: Tate Collection, Londres, Reino Unido 
Ano: 1919 
Técnica: Litografia e fotocolagem em papel 
Tamanho: 32cm x 25,5cm 
Movimento: Dadaísmo
Leia sobre a arte dadaísta:

SURREALISMO: Inaugurado com a publicação do Manifesto Surrealista, em 1924, este foi o último movimento da vanguarda, sofrendo influências das teorias de Freud, o Surrealismo caracterizou-se pela busca do homem primitivo através da investigação do mundo do inconsciente e dos sonhos. Na literatura, o traço fundamental foi a escrita automática (o autor deixa-se levar pelo impulso e registra, sem controle racional, tudo o que o inconsciente lhe ditar, sem se preocupar com a lógica.
Ficha Técnica – A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA
Autor: Salvador Dalí
Onde ver: MoMa, Nova York, Estados Unidos
Ano: 1931
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 24cm x 33cm
Movimento: Surrealismo

Leia sobre:

Comentário Crítico:
Percebe-se que os literatos brasileiros em algumas escolas literárias (como no Romantismo e Realismo, por exemplo), desejavam mostrar o “verdadeiro” Brasil. E isso, evidentemente, não poderia ser diferente, na nova estética literária brasileira, o que se percebe certa abertura e espaço, bem como sua influência da literatura estrangeira ou de ideologias que vinham de fora. Parece que os autores olham para o Brasil e fazem de sua literatura “palco de manifestações reais” do que realmente o Brasil é expondo as variadas facetas ou realidade do nosso país. Alguns livros didáticos até afirmam que a realidade verdadeira do Brasil era ignorada pela Literatura até então.
As vanguardas como movimentos artísticos, estética literária ou correntes da Literatura Europeia foram resultados ou consequências do que aconteceram no cenário europeu do século XX: problemas políticos, conflitos entre países vizinhos, intercâmbio entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial...
A expressão vanguarda pode ser entendida como parcela dos intelectuais que exerce um papel pioneiro, desenvolvendo técnicas, ideias e conceitos novos, avançados, especialmente nas artes. O que havia de comum era nada mais do que conflitos ou debates de uma herança do século passado. É um grito do novo: os padrões da antiga estética literária e artística devem ceder lugar àquilo que estava por vir: O Modernismo. Havia assim manifestações desse “novo” em suas obras e divulgação de novas estratégias formais do tempo. 
Podemos, assim, refletir de uma desestruturação ou falta de uma literatura fixamente ou realmente brasileira. E se assim o é, tem forte influência estrangeira: É então, como se diz da boca de postulantes da Literatura um movimento que expressa pela arte o que é de fato o nosso país em dado momento? Somos simplesmente consequência ou resultado do que acontece lá fora no cenário mundial e reestruturados em um “quebra-cabeça” que na época foi apresentado como “Literatura Brasileira”.

REFERÊNCIAS:
ABAURRE, Maria Luiza; FADEL, Tatiana; PONTARA, Marcela Nogueira. Português: Língua, Literatura, Produção de texto. São Paulo: Moderna, 2004. 

OLIVEIRA, Ana Teresa Pinto de. Literatura Brasileira: Teoria e prática. São Paulo: Rideel, 2006.


FONTE: Blog do Prof. Cássio José.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

LIMA BARRETO

SUGESTÃO DE LEITURA:   ENSAIO (TEXTO ACADÊMICO):

O ensaio é de autoria da acadêmica Sarah Fernanda de Carvalho: contempla vida e obra do nacionalista/anarquista Afonso Henriques de Lima Barreto.

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 1881. Seus textos possuem características jornalísticas (aspecto de crônica) e urbanistas.

Lima Barreto procurava mostrar a realidade como ele percebia, fazendo duras críticas à sociedade, costumes e valores através de seus personagens. Ele utiliza o discurso em 3ª pessoa, pois dessa forma se distancia das personagens, tornando-se onisciente, além de transmitir para as personagens valores que estão presentes na sua essência. Seus contos são imprevisíveis, como por exemplo, o conto “Um Especialista”, no qual dois amigos que se encontram todas as tardes comentam sobre a vida, os amores, os negócios, até que um dos amigos comenta que está namorando uma bela mulata e por fim acaba por descobrir que ela é sua filha, dessa maneira acaba acontecendo um incesto não proposital.

É perceptível a presença autobiográfica nos contos de Lima Barreto. Ele faz uma mescla da sua biografia com um pouco de ficção, como fica nítido em vários contos. Em “O filho de Gabriela”, a personagem Horácio, assim como Lima Barreto, tem seus estudos bancados pelo padrinho, porém sempre se sentiu deslocado; em “Harakashy e as escolas de Java” Lima Barreto faz uma sátira às escolas brasileiras (corrupção no ensino) e à Academia Brasileira de Letras (na qual foi barrado), metaforizadas nas instituições de Java: o jovem Harakashy foi expulso das escolas de Java assim como Lima Barreto sofreu na Escola Politécnica, ele sofreu muito preconceito por ser negro e pobre, e por isso nunca conseguiu concluir o curso. Nesses dois contos é visível a presença do tom irônico de Lima Barreto, no qual ele deixa-se levar por impulsos íntimos, todos frutos da mágoa e do sentimento de inferioridade que passou a sentir após vários fatos negativos que ocorreram em sua vida.

É notável a presença da crítica ao falso moralismo da sociedade burguesa. Em “A Nova Califórnia”, é feita uma crítica à ganância. O falso moralismo é quebrado com a descoberta do lucro, existe também a valorização do que a sociedade rejeita: a única pessoa que não viola as sepulturas em busca de ossos é o bêbado Belmiro que ficou bebendo, indiferente a tudo que acontecia, sem se preocupar em obter lucro através dos ossos dos mortos. Uma curiosidade: esse conto foi adaptado para a Rede Globo e foi ao ar como novela – Fera Ferida. No conto “O homem que sabia Javanês” um amigo conta a outro sobre as espertezas e trapaças que usou para sobreviver: uma delas foi fingir que sabia Javanês sem o saber. Ele conta que foi até nomeado cônsul e representou o Brasil em uma reunião de sábios, deu palestras e publicou pelo mundo em Java. Esse conto mostra a falta de honestidade para conseguir, de certa forma, se dar bem na vida e tirar sempre alguma vantagem sobre os outros. Em “Cló” é retratada a decadência moral de uma família durante o carnaval no Rio de Janeiro, tendo como personagem principal Cló, filha do casal Isabel e Maximiliano, que procura sem rodeios se insinuar para o Doutor André, um amigo da família que é casado. O conto termina com Cló se entregando ao Doutor André (“... Ao acabar, era com prazer especial, cheia de dengues nos olhos e na voz, com um longo gozo íntimo que ela, sacudindo as ancas e pondo as mãos dobradas pelas costas na cintura, curvava-se para o Doutor André e dizia vagamente: Mi compra ioiô! E repetia com mais volúpia, ainda uma vez: Mi compra ioiô!”). Nesse conto fica retratado o cotidiano de uma família suburbana carioca, diferente das famílias burguesas que eram retratadas por Machado de Assis, em que a elite pondera, quer sempre manter uma imagem, são hipócritas e escondem o que realmente são. Já para as famílias suburbanas não existem pudores nem hipocrisia, eles são o que são sem esconder nada. Em “Como o Homem chegou” é feita uma crítica à burocracia. Numa delegacia do interior, um delegado manda um louco em um carro blindado com um médico, sendo este tão “intelectual” que, durante a viagem de dois anos com total falta de cuidado com o louco e um excesso de preocupação técnica, o paciente chega morto. “Adélia” é um conto com uma carga social denunciativa enorme, faz uma crítica a um hábito comum para a época: o de haver casamentos das garotas que viviam na Casa de Expostos (orfanato) no dia de Santa Isabel. É narrada a história de Adélia, que fora deixada pelos pais em um orfanato e se casou no dia de Santa Isabel, sem amor. No princípio a vida sexual ativa lhe agradou muito, mas passados dois anos de casamento o marido caiu enfermo, e ela, insatisfeita com a vida de enfermeira de alguém que não ama, acaba cedendo a um convite recebido e começa a se prostituir mesmo sentindo-se cobiçada, desejada e ganhando muito dinheiro. Adélia nunca perdeu o olhar distante e perdido que cultivou desde que foi deixada pelos pais no orfanato e que foi casada no dia de Santa Isabel. Em “Uma vagabunda”, Frederico conta ao amigo Chaves a história de Alzira, uma vagabunda que certa vez lhe pedira dinheiro emprestado, mais precisamente cinco mil réis, logo após se encontrarem em um bar. Logo depois, vendo-o pagar a conta com um volumoso monte de dinheiro, pediu-lhe mais cinco mil, que Frederico negou. Alzira indignada atirou os cinco mil que lhe haviam sido emprestados na cara de Frederico. Após um tempo, Frederico sujo, maltrapilho, vivendo uma péssima fase entra em um bar no qual Alzira está. Ela o cumprimenta educadamente e lhe oferece a passagem do bonde, que de imediato Frederico nega, mas que acaba por aceitar. Esse conto quebra os estigmas sociais e os estereótipos que a sociedade hipócrita faz de mulheres como Alzira. A cena final demonstra a imperfeição dos juízos sem provas dos pré-conceitos.

Nos contos de Lima Barreto, as mulheres são retratadas de uma forma muito peculiar. Em “Lívia” é contada a história de uma moça que já teve inúmeros namoros, mas nenhum resultou em casamento, por isso ela passa os dias sonhando com um casamento que lhe dê estabilidade e lhe tire de sua vida miserável. Esse conto faz uma crítica às mulheres que pensam em casar-se não por amor, mas sim por mera conveniência para solucionar problemas financeiros e viver de forma luxuosa. Essas mulheres têm um pensamento racional em relação ao amor e ao casamento. Lívia age de maneira leviana. Já em “Um e Outro” é contada a história de Lola, uma mulher dissimulada que abandonou o marido e tornou-se amante de luxo do homem que um dia fora seu patrão, mas apesar de todos os seus amantes ricos e poderosos, ela gosta mesmo do rude motorista que dirige o carro de luxo em que passeia. Quando vai ao encontro dele depois de uma semana, descobre que ele deixou de dirigir o carro de luxo para dirigir um táxi. Ela imediatamente perde a atração por ele (“... Não era o mesmo, não era o semideus, ele que estava ali presente; era outro ou antes ele era degradado, mutilado, horrendamente mutilado. Guiando um “táxi”...Meu Deus!...” ). É possível identificar características do Pré-Modernismo nos contos de Lima Barreto, pois mostram a realidade da humanidade.
Outra característica de Lima Barreto é o xenofobismo. Ele tem repugnância a tudo que é estrangeiro, como fica explícito no conto “Miss Edith e seu tio” – o título, por si só, já estrangeiro –, em que é narrada a história de dois ingleses: Miss Edith e seu tio, que chegam a uma pensão no Rio de Janeiro e mantêm-se arrogantemente distantes. Todos na pensão sentem-se inferiores aos magníficos ingleses. Essa suposta superioridade não é só física, mas também é intelectual. Porém, no final, toda essa superioridade é quebrada quando Angélica, uma das empregadas da pensão, pega a sobrinha saindo do quarto do tio (“... Premida pelo serviço, Angélica saiu do aposento da inglesa; e foi nesse instante que viu a santa sair do quarto do tio, em trajes de dormir. O espanto foi imenso, a sua ingenuidade dissipou-se e a verdade queimou-lhe os olhos... – Que pouca vergonha! Vá a gente fiar-se nesses estrangeiros... Eles são como nós...”). Mais uma vez acontece a prática do incesto, como em “Um Especialista”.

Durante toda a sua vida como escritor, Lima Barreto foi tido como relaxado, pois escrevia de uma maneira mais acessível ao leitor, escrevia para atingir um público de leitores menos assíduos. Por essa razão foi negado na Academia Brasileira de Letras. Em suas obras privilegiava os negros, pobres e desfavorecidos, valorizando a minoria insignificante. Seus textos eram ficcionais, porém os acontecimentos eram quase todos reais e alguns vividos pelo próprio Lima Barreto.

Seus contos possuem um grande leque de problematização e uma densidade psicológica sem igual. Lima Barreto é um autor que fez uso da ironia para se defender e através dela acabar com os paradigmas da sociedade, escrevendo contos cujos temas servem também para os dias atuais. O crítico Rodrigo Lacerda define Lima Barreto e a sua relação com a ironia: “A ironia em relação aos poderosos, que garante boas risadas até hoje. Outra é a defesa do patrimônio público, uma obsessão desse escritor que se tornou um porta-voz das classes populares. A terceira é a prosa mais ligeira que o normal da época, construída de forma menos rebuscada, preocupando-se menos em obter uma sonoridade retumbante e um ímpeto grandioso.”

Referências:
BARRETO, Lima. Melhores contos de Lima Barreto; seleção de Francisco de Assis Barbosa. 8 ed. – São Paulo: Global, 2002 – (Melhores contos)

GRAÇA ARANHA

Resumo da Obra Canaã:

Milkau, alemão, recém-chegado, o a uma colônia de imigrantes europeus, no Espírito Santo, aluga um cavalo para ir do Queimado à cidade de Porto do Cachoeiro. Junto com ele vai o guia, um menino de 9 anos, filho de um alugador de animais, no Queimado. Finalmente, chega ao sobrado do comerciante alemão, Roberto Schultz, em Cachoeiro. Na parte inferior do edifício fica o armazém, onde é negociada toda sorte de produtos. É apresentado a outro imigrante, von Lentz, filho de um general alemão. Milkau deseja arrematar um lote de terra para se estabelecer. Schultz apresenta-lhe o agrimensor, Sr.Felicíssimo, que está para ir ao Rio Doce fazer medições de terra. Milkau, desejando aí se estabelecer, decide se juntar ao agrimensor e convida o indeciso Lentz para acompanhá-lo.

Milkau vê na fusão das raças adiantadas com as selvagens, o rejuvenescimento da civilização. Enquanto acredita na humanidade, pensa encontrar no Brasil Canaã, "a terra prometida". Lentz só se ocupa da superioridade germânica, ficando enaltecido com o triunfo dos alemães sobre os mestiços. Para ele, a mistura gera uma cultura inferior, uma civilização de mulatos que serão sempre escravos e viverão em meio a lutas e revoltas.À noite, reúnem-se a Felicíssimo e ouvem de alguns homens da terra e dos trabalhadores alemães lendas, evocando o Reno e despertando saudades. Os planos dos dois imigrantes diferem; Milkau deseja manter seu pedaço de terra e anseia por uma justiça perfeita sem ganâncias ou lutas. Lentz está determinado a ampliar sua propriedade, ter muitos trabalhadores sob seu comando. Sonha com o domínio do branco sobre o mulato, numa confirmação de seu poder.

Após as medidas tomadas por Felicíssimo, Milkau pode levantar sua casa e Lentz deixa-se ficar, triste e angustiado, incapaz de abandonar o companheiro, dedicando-se às viagens e compras da casa. No trajeto, encontra-se sempre com um velho colono alemão taciturno, em companhia de seus cães ferozes, mas fiéis. Mais tarde, encontrará esse velho morto em casa, guardado pelos animais e devorado pelos urubus.

Acontece uma festa no sobrado de Jacob Müller. Milkau diz a Lentz que era isso o que buscava: uma vida simples em meio à gente simples, matando o ódio e esquecendo da dor. Lentz vê em tudo aquilo uma existência vazia e inútil. Milkau conhece, nesse dia, no sobrado de Müller, uma colona, Maria Perutz, que não consegue mais esquecer o encontro com o rapaz. A história de Maria é triste e solitária. Ela e a mãe moravam com um velho, seu filho, a nora Ema e o neto, Moritz Kraus. Repentinamente, Kraus falece e a situação na casa de Maria se modifica. Ema e o esposo decidem separar a moça do filho, temendo uma aproximação amorosa. A família quer ver Moritz casado com a rica Emília Schenker e o enviam para longe de Jequitibá. O rapaz parte com certa alegria, deixando Maria desgostosa, pois os dois já eram amantes.Franz Kraus é procurado por um Oficial de Justiça que, desejando saber porque a morte do velho não foi notificada, passa-lhe um documento sobre a necessidade de arrolamento dos bens de Augusto Kraus. O grupo se instala na casa e passa a chamar os colonos, amedrontando-os com extorsões e violências. Após a visita, cobram de Franz Kraus a alta importância de quatrocentos mil réis, além de demonstrarem certo interesse em Maria, notadamente o procurador Brederodes. Kraus sente-se ultrajado e roubado. A vida de Maria por essa época piora. Maria aguarda desesperadamente o retorno de Moritz para lhe contar sobre o filho que espera. Os pais do rapaz não tardam perceber o que se passa. Passam o dia a cochichar, a tramar para se verem livres dela. Tratam-na com mais rigor, não lhe dão quase comida, dobram-lhe os trabalhos. Uma manhã, trêmula e exausta deixa cair um prato. Encolerizada, Ema grita para que ela abandone a casa. Amedrontada, arruma uma trouxa e sai. Pede auxílio ao pastor, mas esse, dominado pela cunhada, docemente afasta Maria que parte para a vila em busca de abrigo.

Maria encontra uma estalagem, onde empenha a trouxa de roupa em troca de comida e abrigo. A dona do estabelecimento lhe dá dois dias para encontrar um emprego, mas a busca é em vão. Certo dia, na hora do almoço, Milkau reconhece Maria na estalagem. Ao saber de sua história, prontifica-se a ajudá-la, levando-a para a casa de uns colonos.Um dia trabalhando no cafezal, começa a sentir as dores do parto. Temendo retornar à casa, resiste até cair e, esvaindo-se em sangue, dá luz ao bebê. Alguns porcos, que estavam nas proximidades, correm para lambê-los, mordendo o bebê que falece. A filha dos patrões chega nesse instante e, sem nada perguntar, volta à casa, dizendo que Maria tinha matado o bebê e dado a criança aos porcos. Dois dias depois, Perutz estava presa na cadeia de Cachoeiro.

A população germânica, horrorizada com o crime de Maria, prepara-se para a vingança e o exemplo. Pede-lhes que deixem a punição da mãe assassina para os alemães. O procurador Brederodes, ignorado por Maria na época, insiste em puni-la para que aprenda a não ser tão orgulhosa. Chama todos os alemães de hipócritas e parte, deixando Shultz desmoralizado. Milkau fica sabendo do destino de Perutz e o encontro com ela em Cachoeiro choca-o. Volta a vê-la dias seguidos, passando a ser olhado com desprezo e desconfiança, pois, talvez, fosse o amante. Repelido pelos moradores, resigna-se com a condição de inimigo, permanecendo ao lado de Maria. Certa manhã, estando em companhia de Felicíssimo, Milkau encontra Maria, sendo levada por dois soldados para o tribunal. Em cada fase do julgamento, é apontada culpada. Milkau acompanha todas as sessões, chegando a ficar amigo do juiz Paulo Maciel. Este lhe diz que o final não será feliz, pois os depoimentos não deixam brecha para a inocência.

A avaliação não é das melhores. O juiz impossibilitado de fazer justiça por uma série de circunstâncias observa que a decadência ali existente é um "misto doloroso de selvageria dos povos que despontam para o mundo, e do esgotamento das raças acabadas. Há uma confusão geral".

Finalmente, numa noite, Milkau tira Maria da prisão e foge com ela, correndo pelos campos em busca de Canaã, "a terra prometida", onde os homens vivem em harmonia."

FONTEhttp://aranhagraca.blogspot.com.br/2009/03/resumo-da-obra-canaa-graca-aranha.html

LEIA AINDA: 
http://www.algosobre.com.br/resumos-literarios/canaa.html