Vamos falar sobre intolerância escolar?
Um tema pouco debatido, porém muito recorrente nas escolas desse Brasil. A
intolerância é um problema grave e comum nas escolas deste país. Em um trabalho
realizado em sala de aula fiz este artigo e pesquisa onde exponho minha visão
sobre assunto. Todos nós temos força para mudar este mundo, ás vezes com
simples palavras podemos mover grandes montanhas.
Artigo de opinião
Intolerância Escolar: os mais jovens também sabem ser cruéis
Por Maria Irmany de S. Ribeiro
Trata-se da falta de compreensão ou aceitação em relação a algo.
O indivíduo não consegue aceitar divergentes pontos de vista, ideias ou
culturas. O problema possui diversas ramificações sendo que, às vezes, a
religião, o estrato social, a orientação sexual, modo de ser e personalidade
são motivos suficientes para que haja uma agressão. A grande questão está em
não respeitar o próximo como este é. A intolerância surge em algum ponto da
vida, está presente em muitas pessoas de forma até inconsciente, podendo
acontecer sem que a pessoa perceba, sendo, assim, um hábito comum e oculto.
O
Brasil é miscigenado, no entanto há pessoas que insistem em destilar ódio pelas
ruas deste país. O caso recente da Miss Brasil Monalysa Alcântara é um dos
vários casos que exemplificam uma dura realidade: o Brasil está doente,
demasiadamente afetado pelo mal da intolerância.
Na
escola não é diferente. Berço da formação parcial de nosso ser, a intolerância
dentro do ambiente escolar é um fato inegável. A sociedade influencia os
jovens. As crianças por mais inocentes que possam ser também estão aprendendo a
dominar tal maldade. O aluno que vemos em sala de aula é um reflexo da educação
que o mesmo recebe dentro de casa, dessa forma, a intolerância vista entre os
estudantes não formou-se da noite para o dia, mas ao longo do tempo pelas
influências externas(que há muito tempo não são dignas de felicidade). O
respeito é algo importante dentro de um lar, mas nem sempre ele pode ser
encontrado neste lugar.
Em
uma pesquisa realizada com um grupo* de 115 pessoas com idades entre 10 a 25
anos, em que 95,7% apresentam idades entre 11 a 18 anos, 78,3% dos
entrevistados já sofreu intolerância escolar. Com esse dado alarmante
observamos um problema grave: a falta de respeito. A grande maioria sofreu tal
violência por questões relacionadas com aparência física e personalidade,
seguidos por problemas quanto à orientação sexual e desempenho escolar. Também
há casos em que a religião e opiniões divergentes foram motivos de desrespeito.
Um
total de 78,3% dos participantes já presenciaram casos de intolerância dentro
da escola e observa-se, posteriormente, que boa parte das vítimas não denunciou
o caso. A escola pode fazer palestras e trabalhos para a conscientização sobre
o tema, contudo quando a equipe escolar depara-se com um caso real é notável haver
falta de interesse em algumas ocorrências. A falta de preparo unida à falta de
uma punição mais severa contribui para o silêncio. A maioria dos entrevistados
afirmou nada ter feito contra o agressor, pois sabiam que não seriam ouvidos;
alguns daqueles que denunciaram enfrentaram o descaso e a conformidade com a
intolerância. Assim conclui-se que os casos de violência são tratados como
fatos corriqueiros e sem que a devida atenção seja dada a violência continua e
desde cedo os agressores sentem-se confortáveis aos pés da impunidade.
Em
contrapartida, 34.8% das escolas referidas na pesquisa trabalham em combate à
intolerância. O número é pequeno e de certa forma insatisfatório, porém, com o
cenário atual das escolas, é um bom avanço. Infelizmente, 35,7% não trabalham o
tema enquanto que 29,6% dos entrevistados afirmaram que suas escolas talvez
trabalhem o tema. Em sala de aula, 41,7% dos professores trabalham a situação.
Esses profissionais têm grande potencial para mudar opiniões e um debate entre
os alunos pode ser uma forma de combater tamanha falta de respeito.
Perfez
um total de 51,8% dos entrevistados que não apresentaram problemas quanto à
agressão, mas 33,3% desenvolveram traumas e 14,9% não sabem ao certo. Outro
patamar é alcançado: a falta de respeito é tão grande que ultrapassa os limites
da dor humana: 14% dos entrevistados necessitaram de tratamentos com
profissionais enquanto 86% seguiram sem demais problemas. Parece pouco, no
entanto ninguém deveria ter sua estabilidade mental afetada só porque algumas
pessoas não aprenderam o que é ser humano. Vemos por aí muitas pessoas. Quantas
delas realmente sabem o que é amor ao próximo?
Ao
tratarmos a intolerância entre os próprios alunos observamos, algumas vezes, a
falta de interesse. Alunos riem e demonstram que serão os mesmos profissionais
dos diversos âmbitos da sociedade que tornarão o ambiente profissional
desagradável. Isso provavelmente será passado aos seus filhos e o ciclo de
intolerância continuará. A escola pode agir para o combate, mas a realidade é
que as pessoas só dão crédito à opinião alheia quando esta condiz com seus
próprios conceitos e ideais. Você só vai entender realmente o que o colega
sente se passar pelo que ele passa e até que isso ocorra seu colega de trabalho
irá pedir demissão por não aguentar mais tanto desrespeito. Afinal, quantos
realmente estão dispostos a mudar isso?
A
intolerância é uma doença que dificilmente poderá ser curada, todavia podemos
mudar o que vemos; o lugar onde vivemos e por onde iremos passar. Talvez um dia
o mundo esteja ocupado por pessoas cheias de humanidade. Como na música de Jonh
Lennon, talvez um dia o mundo seja como um só. “Maior que a tristeza de não ter
vencido é a vergonha de não ter lutado” - Rui Barbosa.
*Pesquisa realizada com os grupos “Tirinhas Amor Doce” e “Cabaré
Cand-Y” referentes ao jogo “Amor Doce”. Os grupos podem ser encontrados na rede
social do Facebook.
FONTE: Artigo e pesquisa
produzidos por Maria Irmany de S. Ribeiro, aluna da 1ºsérie do Ensino Médio em
trabalho conjunto sobre intolerância com Luma Mota Santos.
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